terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Domingo Martínez de Irala - Adelantado do Rio da Prata

 

Ascendente de 17.ª geração : Familysearch ID: LXQF-9VR


Domingo Martínez de Irala - Adelantado do Rio da Prata -Masculino

1509 – 3 de outubro de 1556

Domingos Martínes de Irala. O maior Adelantado Espanhol e o único escolhido democraticamente, sua liderança e política garantiu a sobrevivência espanhola no Rio da Prata quando tudo parecia destinado ao fracasso. Os casamentos com filhas de caciques guaranis garantiram aliança com os nativos mais poderosos da região. Cabeza de Vaca chega a Assunção em 1542, acolhido pelos guaranís em grande incursão pelo Peabiru. Cabeza de Vaca era O novo Adelantado nomeado pelo rei, tentou fazer valer sua autoridade com medidas autoritárias, mas Irala era um líder escolhido pelos pioneiros, sobreviventes que se sentiram desrespeitados. Irala não aceitou o autoritarismo de Cabeza de Vaca e prendeu-o sob alegação de abuso de autoridade. Irala, logrou arrefecer o embate promovendo o casamento de sua filha Úrsula com Alonso Riquelme de Guzmão, sobrinho e braço direito de Cabeza de Vaca. Muitos brasileiros são descendentes dessa linhagem por meio da vinda para Piratininga de fidalgos do Guayrá. 
 descendência no Brasil. 





O Governo de Irala e o Choque com Cabeza de Vaca

Após o fracasso da expedição de Pedro de Mendoza em Buenos Aires, a liderança recaiu sobre Irala, um homem pragmático que percebeu que a Espanha não manteria o controle da região sem o apoio dos Guaranis . Ele estabeleceu um sistema de cooperação mútua: os espanhóis forneciam proteção militar e ferramentas de metal, enquanto os indígenas forneciam alimentos e mão de obra, selando essa aliança através de laços de parentesco.

Em 1542, a chegada de Alvar Núñez Cabeza de Vaca, o novo Adelantado, gerou um conflito de visões:

  • Cabeza de Vaca: Defendia uma aplicação rígida das Leis das Índias  e limitar a autonomia dos colonos que já estavam estabelecidos há anos.

  • Irala: Representava os interesses dos "antigos", homens que haviam sobrevivido à fome e que acreditavam que a sobrevivência da colônia dependia da integração com a terra.

O conflito culminou na deposição de Cabeza de Vaca em 1544. Irala retomou o comando, mas a colônia estava profundamente dividida entre partidários de ambos os lados.

A Aliança de Sangue: Úrsula e Guzmán

Para unificar a colônia e evitar uma guerra civil, Irala demonstrou grande habilidade política ao utilizar ao promover o casamento de sua filha, Doña Úrsula de Irala, fruto de suas alianças com a nobreza guarani, foi a peça-chave para a reconciliação.

Irala casou Úrsula com o capitão Alonso Riquelme de Guzmán. Este casamento foi um ato de alta diplomacia, pois Guzmán era sobrinho de Cabeza de Vaca. Ao unir sua filha ao herdeiro de seu rival, Irala fundiu as duas facções opostas em uma única família. Guzmán, por sua vez, demonstrou nobreza e lealdade ao aceitar o papel de mediador, tornando-se um dos braços direitos de Irala na administração de Assunção.

Dessa união nasceu Ruy Díaz de Guzmán, o primeiro grande historiador da região, que registrou os feitos de seus antepassados com uma perspectiva que valorizava tanto a herança europeia quanto a americana.

A Expansão para o Brasil e o Rio da Prata

A descendência de Irala e Guzmán não permaneceu confinada às fronteiras do Paraguai. A partir de Assunção, o clã expandiu sua influência por todo o cone sul:

  1. A Refundação de Buenos Aires (1580): Descendentes dessa elite mestiça formada por Irala participaram da expedição de Juan de Garay para restabelecer Buenos Aires, levando para o sul as linhagens de Assunção.

  2. O Caminho para São Paulo: Durante a União Ibérica, o trânsito entre Assunção e a Vila de São Paulo de Piratininga tornou-se frequente. Membros da linhagem Guzmán e de outras famílias aparentadas com Irala migraram para o planalto paulista e integraram-se às famílias dos primeiros exploradores e bandeirantes. 

A Ascensão ao Poder

Irala tornou-se Adelantado Interino em 1538, logo após a confirmação da morte de Juan de Ayolas.

O processo foi marcante por ser um dos primeiros exercícios de "democracia" (ainda que limitada) nas Américas:

  1. O Testamento de Mendoza: Pedro de Mendoza havia deixado ordens de que, se Ayolas morresse, o povo deveria escolher seu sucessor.

  2. A Real Provisão de 1537: A Coroa Espanhola enviou um documento que permitia aos conquistadores do Prata elegerem um governador interino caso o cargo estivesse vago.

  3. A Eleição: Em agosto de 1538, após ficar claro que Ayolas não voltaria, os colonos em Assunção elegeram Irala. Ele era respeitado por sua dureza e por conhecer o terreno melhor que ninguém.


Irala não queria apenas explorar; ele queria estabelecer uma colônia que funcionasse. Para isso, ele tomou decisões drásticas:

  • O Despovoamento de Buenos Aires (1541): Esta foi sua decisão mais polêmica. Ele percebeu que manter Buenos Aires era um desperdício de vidas e recursos devido à fome e aos ataques. Ele ordenou que todos os sobreviventes queimassem o que restava da cidade e se mudassem para Assunção. Isso concentrou todo o poder espanhol em um único lugar.

  •  Irala incentivou a união dos soldados espanhóis com as mulheres Guaranis. Isso criou uma nova elite mestiça e garantiu a aliança com os indígenas locais através do parentesco. 

  • A Resistência a Cabeza de Vaca: Quando a Coroa enviou o famoso Alvar Núñez Cabeza de Vaca para ser o Adelantado oficial (em 1542), Irala não aceitou bem perder o comando. Ele liderou uma conspiração, prendeu Cabeza de Vaca em 1544 sob a acusação de "tirania" e o enviou de volta à Espanha acorrentado, retomando o poder interino.


O Título Definitivo

Irala governou de forma interina ou "de fato" por quase duas décadas. A Coroa Espanhola, percebendo que ele era o único capaz de manter aquela região sob controle, acabou oficializando sua situação.

Em 1554, ele foi finalmente nomeado Governador do Rio da Prata e do Paraguai de forma oficial, cargo que ocupou até sua morte por causas naturais em 1556 (um feito raro para conquistadores daquela época).


Resumo do Legado

Irala transformou o que era uma expedição de busca por tesouros em uma sociedade de colonização agrícola e mestiça. Sem a sua decisão de concentrar tudo em Assunção, a presença espanhola no Rio da Prata poderia ter desaparecido completamente no século XVI.



1-1 Maria de Torales foi casada com Gabriel Ponce de Leon, natural da Cidade Real de Guayra — província do Paraguai, f.º de Barnabé de Contreras e de Violante de Gusman. Este Gabriel Ponce de Leon, ilustre cavalheiro da província do Paraguai, dali veio por terra a S. Paulo juntamente com outros fidalgos seus parentes, que foram: 1.º Bartholomeu de Torales e sua irmã, Maria de Zunega já mencionados neste Cap. 2.º; 2.º o irmão (de Gabriel Ponce) Barnabé de Contreras y Leon com sua mulher Beatriz de Espinoza e sua f.ª Violante de Gusman, a qual casou em 1637 em S. Paulo com Domingos do Prado f.º de Martim do Prado e de Paula de Fontes; 3.º Anna Rodrigues Cabral, natural da cidade de Guayra, falecida em 1634 com testamento, f.ª de Antonio Rodrigues Cabral e de Joanna de Escobar, e que foi casada com Bartholomeu de Torales. Nesse trajeto demoraram algum tempo estas famílias na campanha da Vacaria, passando dali a S. Paulo pelos anos de 1630 a 1634, dando lugar a que se desconfiasse que essa transmigração fosse motivada por algum crime de lesa-majestade. (Pedro Taques - Nobil-Paulistana). Faleceu Gabriel Ponce de Leon em 1655 em S. Paulo e teve: (C. O. de S. Paulo): 2-1 Capitão André de Zunega y Leon que casou com sua tia Cecilia de Abreu, § 7.º, f.ª do 2.º casamento do capitão Balthazar Fernandes, a qual faleceu com testamento em 1698 na vila de Sorocaba e teve: (C. O. de Sorocaba). 2-2 Sebastião de Contreras f.º do § 1.º. 2-3 Gabriel Ponce de Leon cremos ter sido o que faleceu em 1661 em Sorocaba casado com Custodia Dias f.ª de André Fernandes. 2-4 Bartholomeu de Contreras (não sabemos se foi casado) 2-5 Anna Rodrigues de Torales foi casada com Antonio de Oliveira Falcão 2-6 Maria de Zunega. 2-7 Ursula de Gusmão, f.ª do § 1.º, foi casada com João Rodrigues Pinto, viúvo de Maria de Candia, f.º de Sebastião Rodrigues e de Catharina Alves. Fonte: Genealogia Paulistana, Silva Leme, Vol VII - Pág. 224 a 258, Título Fernandes Povoadores. Gabriel Ponce de Leon e Contreiras, n. Cidade Real de Guairá, Paraguai, f. com testamento em Parnaíba, 1655, f. do Cap. Barnabé de Contreras de Zunega e Violante de Gusman Ponce de Leon, neto de Pedro de Contreras e Bernarda de Zunega de Mendonça, esta filha de Francisco de Zunega e Valdez e sua mulher, Maria Manrique. Casou no Paraguai com Maria de Zunega Torales, f. 1686, Sorocaba, SP, f. de Pedro Fernandes Cabral (ou Pedro Rodrigues Cabral) ou do seu irmão Antonio Rodrigues Cabral, ambos paulistas, filhos de Bartolomeu Fernandes e de Ana Rodrigues (em Fernandes), que em 1611 foram para o Guairá, num suposto 1º casamento de um deles com Maria de Zunega, n. Vila Rica, naquele país, que depois foi a 1ª esposa do Cap. Baltazar Fernandes, o Povoador, fundador de Sorocaba, e com este vieram para Parnaíba, acompanhados ainda do irmão de Maria de Zunega, Bartolomeu de Torales, este f. de outro Bartolomeu de Torales e Violante de Zunega (em Fernandes), e de sua 1ª mulher Ana Rodrigues Cabral, f. com testamento em Parnaíba, 1634, todos naturais de Vila Rica, esta f. de Antonio Rodrigues Cabral, já citado, e Joanna de Escobar.


Libro embarque de Domingo Martinez de Irala, 28 julho de 1538




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Senhor de Maldonado

Nuño Pérez Maldonado, II

(c. 1155-1215), filho de Pedro Pérez Aldao

O sobrenome Maldonado procede da antiga e nobre linhagem galega de Aldana. A linhagem de Aldana descende de Teodorico, rei dos ostrogodos.

Este rei era membro da estirpe dos Amalos, que enfrentaram os hunos. Teodorico era filho de Teodomiro, que foi proclamado rei pelos oriolanos, formando assim o Reino de Todmir. Teodorico foi levado para Roma em 462, onde foi educado. As relações com os visigodos foram intensas quando Teodorico se tornou tutor de Amalarico, que viria a ser rei da Espanha. Em seus últimos anos, Teodorico participou ativamente das Cruzadas. Com a morte de Teodorico, ocorreu a divisão entre o reino godo e os visigodos.

Teodorico governou a Espanha por volta do ano 507 e deixou dois filhos no país. Um deles foi Severiano, duque de Cartagena, casado com Dona Teodora. O outro, chamado Suero, estabeleceu-se na Galiza e fundou nela o solar da casa Aldana, perto da cidade de Santiago de Compostela — onde pregou o apóstolo Tiago, discípulo de Jesus Cristo, convertendo a Espanha e todos os nossos antepassados ao catolicismo. Na Igreja de Santiago de Compostela encontra-se a sepultura do apóstolo.

Outra lenda faz dele descendente do rei Ariamiro ou Artamiro VIII, monarca dos suevos na Galiza em 517. O certo é que o nome Aldana esteve inicialmente unido ao de Arias, formado pelo nobre Arias de Aldana; e que Dom Hernán Pérez de Aldana, senhor de Aldana, foi quem fundou o sobrenome Maldonado durante o reinado de Afonso VIII. Os Aldana ocuparam cargos proeminentes e detiveram títulos de condes em Castela e Leão, passando depois para a Galiza, Catalunha, Valência, Múrcia, Extremadura e outras regiões.

Os cavaleiros do sobrenome Aldana adquiriram grande celebridade na conquista de Valência, mencionando-se especialmente Dom Alonso de Aldana, a quem o rei Dom Jaime I presenteou com uma espada como prêmio por suas proezas. Dom Hernán Pérez de Aldana, Senhor de Aldana, foi o primeiro a chamar-se Maldonado, durante o reinado do rei Afonso VIII de Castela.

Suas Armas (Brasões)

  • O escudo de Aldana: Em campo de gules (vermelho), cinco flores-de-lis. Em campo de ouro, dois lobos de púrpura.

  • Os Maldonado: Sempre usaram as armas que o Rei da França concedeu ao seu progenitor após o desafio com o Duque de Aquitânia, conforme conta a história: De gules, com cinco flores-de-lis de ouro, postas em sautor (em "X").


História

Na igreja de Santa María de um lugar chamado Maderuelo, encontra-se um sepulcro com a seguinte inscrição: "Aqui jaz o nobre cavaleiro Hernando Maldonado". Hernán Pérez de Aldana (segundo alguns) ou Nuño Pérez de Aldana foi o fundador do sobrenome Maldonado. Ele foi senhor desta casa e de muitas outras posses, e não viveu nos tempos do Rei Dom Afonso, o Magno, como afirmam alguns autores, mas sim no reinado de Dom Fernando II de Leão e de seu sobrinho Afonso VIII. Eram os tempos da Quarta Cruzada, por volta dos anos 1158-1214.

Foi no tempo deste último rei que ocorreu o episódio que motivou a mudança de Aldana para Maldonado. Relataremos conforme as crônicas antigas:

"Dom Hernán Pérez de Aldana estava gravemente enfermo e encomendou-se a Nossa Senhora, a Virgem, prometendo visitá-la se recuperasse a saúde. Assim que melhorou um pouco, partiu da Galiza em direção às ásperas montanhas da Catalunha. Com o cansaço da longa viagem, sua doença piorou, sendo necessário colocar-lhe uma cama em um dos ângulos da igreja para que pudesse realizar a novena oferecida. Na festa da Natividade da Virgem, 8 de setembro, o templo lotou de fiéis.

Um dos peregrinos, chamado Guilherme, Duque de Normandia (sobrinho do Rei Filipe da França), não encontrando outro lugar livre para ver as cerimônias, colocou-se de pé sobre a cama de Dom Hernán. Ofendido pelo incômodo e pela falta de cortesia, Dom Hernán pediu que ele buscasse outro lugar. O Duque respondeu com altivez: 'Não te incomodaria se soubesses quem sou'. Ao que o enfermo replicou: 'Tu também, se me conhecesses, serias mais cortês'.

Após novas ofensas do Duque, Aldana, indignado, prometeu que, se a Virgem o curasse, ele iria pessoalmente buscar reparação pela injúria. O Duque apenas riu da ameaça."

Curado, Aldana convocou seus parentes e pediu o amparo do Rei Dom Afonso em Burgos. O Rei enviou-o como embaixador ao Rei da França para assegurar que Hernán era um cavaleiro de tal nobreza que poderia desafiar qualquer outro na França.

No dia do duelo, os dois cavaleiros enfrentaram-se com lanças, maças e espadas. Hernán trazia no escudo os dois lobos de púrpura (armas de Aldana). Durante o combate, Hernán feriu o Duque na cabeça, derrubando-o. Quando estava prestes a decapitá-lo, o Rei da França interveio, prometendo a Aldana a satisfação que ele desejasse se poupasse a vida do Duque.

Quando o Duque se recuperou, o Rei perguntou a Hernán o que ele queria. Dom Hernán pediu: — "Senhor, peço que, como trazes três flores-de-lis em tuas armas, me concedas que eu possa trazer cinco."

O Rei Filipe, desgostoso com a pretensão de dividir seu símbolo real, tentou oferecer riquezas, mas Hernán insistiu que buscava honra, não dinheiro. O Rei, então, cedeu dizendo: — "Eu as dou a ti, embora sejam mal donadas (mal dadas/concedidas contra a minha vontade)."

Desde então, Hernán Pérez de Aldana mudou seu sobrenome para Maldonado, derivado da frase do Rei Filipe (mal-donadas), e passou a usar as flores-de-lis em seu brasão. Seus descendentes diretos mantiveram o sobrenome Maldonado, enquanto os parentes laterais continuaram como Aldana.


Texto adaptado do site de Dom Luis Rosales Maldonado.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

A "nobreza da terra"

 A Nobreza Portuguesa e a Formação do Brasil Colonial: Capitanias, Sesmarias e a “Nobreza da Terra”

Durante os primeiros séculos da colonização do Brasil, a Coroa Portuguesa lançou mão de uma estratégia que unia interesses políticos, econômicos e sociais: a doação de capitanias hereditárias e sesmarias a membros da nobreza e fidalgos de confiança. Esse sistema visava não apenas ocupar o vasto território recém-descoberto, mas também garantir que o domínio português se consolidasse através de laços de lealdade e prestígio. Assim, os nobres de Portugal tornaram-se os primeiros grandes senhores da terra no Novo Mundo, dando origem a uma elite que seria conhecida mais tarde como a “nobreza da terra”.

As capitanias hereditárias, instituídas em 1534 por D. João III, foram concedidas a donatários — geralmente navegadores, militares ou fidalgos — que se destacaram em feitos heroicos nas expedições marítimas e nas guerras ultramarinas. Entre eles estava Vasco Fernandes Coutinho, donatário da Capitania do Espírito Santo, que já havia servido à Coroa em campanhas no norte da África e em missões navais. Outro exemplo notável é o Capitão João de Souza Pereira, conhecido como “Botafogo”, figura ligada às façanhas navais portuguesas e que também teve papel relevante na expansão luso-brasileira. Esses homens traziam consigo não apenas experiência militar, mas também o espírito de conquista e o dever de propagar a fé e a cultura portuguesa.

Ao se estabelecerem no Brasil, os fidalgos e capitães donatários enfrentaram imensos desafios. Precisaram lidar com a hostilidade do meio natural, com doenças tropicais, com a resistência dos povos indígenas e com a escassez de recursos e apoio direto da metrópole. Muitos desses pioneiros sucumbiram diante das dificuldades, mas outros conseguiram fundar vilas, erguer engenhos e criar as bases da colonização. As sesmarias — doações de terras a colonos que se comprometiam a cultivá-las — foram fundamentais para a expansão agrícola e o surgimento de núcleos produtivos.

Com o tempo, formou-se no Brasil uma nova elite, descendente dos antigos fidalgos e donatários. Esses grupos consolidaram seu poder econômico e social por meio de casamentos entre famílias nobres ou abastadas, preservando os títulos e o prestígio herdados de Portugal. Assim, a “nobreza da terra” mantinha viva a ideia de linhagem e distinção, mesmo distante do Reino. Muitos desses casamentos selavam alianças políticas e fortaleciam o domínio sobre vastas extensões de terras, transformando as antigas capitanias e sesmarias em verdadeiros senhorios rurais.

Esses primeiros colonizadores e seus descendentes podem ser vistos como patriarcas do Brasil, pois grande parte da população brasileira de hoje descende, direta ou indiretamente, desses fidalgos e desbravadores que, com coragem e ambição, lançaram as bases do povoamento. Suas histórias misturam heroísmo e sofrimento, fé e estratégia, resultando na formação de uma sociedade marcada pela herança da nobreza portuguesa e pela adaptação ao novo território.

Dessa forma, a presença dos nobres e navegadores lusos está na origem de muitas famílias tradicionais que moldaram a história do Brasil. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Afonso Gonçalves de Antona Baldaia

 


Afonso Gonçalves de Antona Baldaia (Porto, c. 1415 - Praia, 1481) (FSID L25W-4L6) foi um navegador português e explorador do século XV, um dos primeiros colonos da ilha Terceira, para onde partiu com o capitão-do-donatário da dita ilha, Jácome de Bruges, ou, segundo outros escritores com o capitão-do-donatário da Praia, Álvaro Martins Homem, de quem foi lugar tenente.

Chefe dos copeiros do Infante D. Henrique. Em 1434, planeou, com o auxílio de Gil Eanes, descobrir a costa ocidental de África num barinel.[1] Em 1435 comandou um de dois navios que cruzaram o Trópico de Câncer, proeza pela primeira vez registada entre europeus desde os Fenícios em 813 a.C.[2] Usou por armas: de prata, com uma flor de lis de azul, acompanhada de quatro rosas naturais de vermelho, com pés e folhas de verde acantonadas; timbre: uma rosa do escudo, carregada de uma flor de lis no centro. Esta família é oriunda da cidade do Porto, da geração dos Baldaias a que pertenciam: Fernão Baldaia, que militou no Oriente no século XVI, perdendo ali a vida durante um combate com os castelhanos. Fernão Álvares Baldaia, que el-rei Afonso V de Portugal mandou em 1476 como embaixador à Corte de França; e Luís Fernandes Baldaia, que foi armado cavaleiro na Batalha de Arzila a 24 de Agosto de 1471. Dois ramos desta família passaram à ilha Terceira, Açores, logo depois da sua descoberta; o primeiro, na pessoa de Afonso Gonçalves de Antona Baldaia, e o segundo, na pessoa de Maria Baldaia. Na dita ilha recebeu em doação muitas e importantes propriedades, e designadamente as existentes entre o corte da Cruz do Marco e a Ribeira de santo Antão, e Pelo Belo Jardim até ao Alto da Serra. Fixou a sua residência, primeiramente, em Angra do Heroísmo, numa casa que mandou construir e que depois cedeu generosamente aos Frades Franciscanos para edificação do seu convento; e mais tarde fez seu assento na vila da Praia, onde também fez cedência de propriedades suas aos Frades franciscanos, para edificação de um outro convento, tal era a sua devoção por estes religiosos, que lhe mereceu o cognome de “Velho de S. Francisco”. Faleceu em 1481, na dita vila, sendo o seu cadáver trasladado para Angra do Heroísmo, onde, segundo sua expressa determinação, foi dado à sepultura, em campa rasa, na casa do capítulo dos religiosos a quem tanto beneficiou. Há historiadores que supoem que este Afonso Baldaia é o mesmo Afonso Gonçalves Baldaia que, por Carta Régia de D. João I de Portugal de 7 de Março de 1432, passada em Santarém, foi nomeado almoxarife na cidade do Porto; o mesmo que em 1434 empreendeu uma viagem marítima com Gil Eanes, passando 30 léguas além do Cabo Bojador, e descobrindo uma angra ou baía a que foi posto o nome de Angra de Ruivos; o mesmo ainda que, mais tarde, empreendeu uma outra expedição em que alargou a área das suas explorações, regressando ao reino em 1436; o mesmo, finalmente, que teve em 1439 a confirmação do dito lugar de almoxarife, cargo que exerceu, pelo menos, até 13 de Outubro de 1442, em que foi presente a uma sessão da câmara do Porto. Até provas em contrário, não repugna acreditar que os dois Baldaias, referidos, são uma e a mesma pessoa, por muitas razões, e principalmente por ter sido descoberta a ilha Terceira por ordem do infante D. Henrique, de cuja casa o navegador Baldaia era fidalgo e copeiro, e coincidir essa descoberta com a data, pouco mais ou menos, em que este deixou de ser almoxarife, pois em 1451 já este cargo era desempenhado por Gabriel Gonçalves, havendo assim todas as probabilidades de que passasse à dita ilha, a adquirir terras do donatário. Seja, porém, como for, o que é certo é que Afonso Gonçalves de Antona Baldaia, primeiramente referido, foi um dos primeiros colonos da ilha Terceira, para onde foi já viúvo de Antónia Gonçalves, que alguns genealogistas dizem ter sido dama do Paço e onde celebrou segundas núpcias com Inês Rodrigues Fagundes. Do primeiro matrimónio com Antónia Gonçalves teve: 1. Pedro Afonso Baldaia, que casou com Maria Afonso 2. Antónia Gonçalves de Antona, que casou com João Gonçalves Picardo 3. Isabel Gonçalves de Antona, que casou com Pedro Álvares de São Francisco 4. Inês Gonçalves de Antona, que casou com Antão Gonçalves de Ávila Do segundo matrimónio com Inês Rodrigues Fagundes teve: 1. Diogo Lourenço Fagundes, que casou com Catarina Gonçalves 2. João Lourenço Fagundes 3. Germão Lourenço Fagundes, que casou com Apolónia Gaspar de Azevedo 4. Beatriz Rodrigues Fagundes, que casou com João Álvares de Carvalho 5. Catarina Lourenço Fagundes, que casou com João Álvares Neto 6. Cecília Álvares Fagundes, que casou com Tomé Gil Fagundes 7. Inês Gonçalves Fagundes, que casou com Afonso Alves 8. Joana Lourenço Fagundes, que casou com Brás Afonso

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Açorianos no Brasil no séc.XVI e XVII Alguns exemplos da genealogia de Emanuel de Souza Pereira.

 Açorianos no Brasil no séc.XVI e XVII

Alguns exemplos da genealogia de Emanuel de Souza Pereira.


















São bastante conhecidas entre os estudiosos das migrações de açorianos ao Brasil a vinda de casais açorianos para o Nordeste Brasileiro em meados do sec. XVII e para a Costa do Sul do Brasil no sec. VIII, porém um fato menos conhecido é a vinda de açorianos, sem relação com um projeto oficial de migração, ainda no sec. XVI, que se estabeleceram no Rio de Janeiro e São Paulo com uma participação importante na defesa do território e fundação de novos povoados. Nesse breve comentário apresentamos alguns desses açorianos que vieram para o Brasil ainda no sec. XVI e aqui deram origem a vasta descendência. 


O Capitão Jordão Homem da Costa, originário da Ilha Terceira, veio ao Rio de Janeiro onde ajudou na expulsão dos Franceses. Ali, casou a sua Filha Margarida da Costa com Manuel Albernaz, originário do Faial, seus descendentes estão entre fundadores de muitos municípios em São Paulo (Mogi das Cruzes, São Paulo, Itu, Taubaté, Ubatuba, São Sebastião).  Em São Paulo, são supostamente de origem açoriana, alguns dos mais antigos moradores, que desempenharam funções importantes e deixaram vasta descendência entre famosos bandeirantes Pedro Afonso, um dos primeiros habitantes do Brasil e antepassado do Francisco Dias Velho, veio da Ilha de São Miguel, assim como Antônio Bicudo Carneiro, de origem sefardita, que exerceu divesos cargos importantes desde meados de 1570 e também participou de muitas bandeiras; João de Abreu que veio da Ilha terceira para São Vicente e lá foi governador e enfrentou ataques piratas. 



Esses são alguns casos encontrados a partir de pesquisa genealógica pessoal com base nos bancos de dados disponíveis no site Familysearch.org onde muitas genealogias são baseadas em estudos de genealogistas como a obra Obra Genealogia Paulistana de Luis Gonzaga da silva Leme com a  Nobiliarchia Paulistana, Genealogia da Principais Famílias de São Paulo, Pedro Taques de Almeida Paes Leme. Também são mencionadas algumas migrações de açorianos para o Brasil no sec. XVI  na clássica obra sobre memórias dos Açores no sec. XVI “Saudades da Terra” de Gaspar Frutuoso escrito em 1586. Abaixo apresentamos algumas informações disponíveis sobre esses açorianos. 










Pedro Afonso Gago


Um dos primeiros açorianos que migraram ao Brasil (supostamente de Ponta Delgada, da Ilha de São Miguel) foi Pedro Afonso Gago, um dos patriarcas de São Paulo, sendo antepassado de ilustres bandeirantes, entre eles Francisco Dias Velho, fundador do povoado  de Nossa Senhora do Desterro, na Ilha de Santa Catarina, futura capital do Estado de Santa Catarina. O Ilustre genealogista Luiz Gonzaga da Silva Leme menciona logo no início do seu tratado “Genealogia Paulistana” Pedro Afonso “ (Dos Gagos e Affonsos das Ilhas de Portugal ) resgatou nos campos do planalto de Piratininga uma índia da tribo Tapuia, que fora aprisionada pelos portugueses e vinha sendo mantida em cativeiro. E foi com ela que teve suas quatro filhas.”






















João de Abreu



Nasceu por volta de 1560, na Ilha Terceira, no Arquipélago dos Açores, em Portugal. João mudou-se dos Açores para a Capitania de São Vicente, onde "foi de sua governança". Desde o ano de 1575, João fez "muitos serviços a El Rei e ao donatário da Capitania, como homem nobre e abonado, com sua pessoa, armas e escravos, acudindo, à sua custa, a todas as guerras tanto no Rio de Janeiro, como em São Vicente".

Em 17 de Janeiro de 1595, João recebeu provisão do Governador Geral Dom Francisco de Sousa lhe concedendo "mercê da 'serventia vitalícia' do ofício de almoxarife das capitanias de Santo Amaro e São Vicente", de que tomou posse em 8 de Março de 1597, na vila de Santos, prestando juramento a Brás Cubas, provedor da fazenda real da Capitania, sendo escrivão da mesma fazenda Athanásio da Motta.  Genealogia Paulistana Vol VI - Pág. 179



Em 'Lendas e Tradições de uma Velha Cidade do Brasil' de Francisco Martins dos Santos, lê-se:"...na noite de 16 de dezembro de 1590... Cook, corsário inglês e lugar-tenente do corsário Cavendish, investia a barra de Santos no comando da nau Roebuck, passou despercebido ante a Fortaleza de Santo Amaro - levantada pelos espanhóis em 1584 - fundeando em frente da Vila. A manhã de 17 veio encontrá-lo no porto, em frente ao Forte da Praça de Nª Srª do Monte Serrate existente junto à enseada de Enguaguaçú e com as baterias assestadas contra a pequena fortificação não tardou em intimar os moradores á rendição ou a Vila seria bombardeada. Pronta foi a resistência paulista... e os homens válidos, com João de Abreu e Diogo de Unhate à frente, resistiam com seus bacamartes afeitos à luta ante essa ignominiosa invasão de corso e pirataria de Sua Majestade contra a costa e as terras dos paulistas... João de Abreu e Diogo de Unhate foram dois povoadores que salientíssima ação tiveram em defesa da terra não só nesta, como também na 1ª invasão de Edward Fenton...". 


Em 'História Geral das Bandeiras Paulistas' de Affonso E. Taunay, lê-se:"Minas de Araçoyaba - Em 02 de agosto de 1599, achava-se o Governador-Geral Dom Francisco Fernando de Sousa, na Biraçoyava dirigindo trabalhos... em novembro de 1599 fazia sacar no Almoxarifado da Fazenda de Santos, carregados em receita ao almoxarife-vitalício dela João de Abreu, mais de 6 contos de réis - soma no tempo avultadíssima - dos 'direitos da Urca, nomeada Mundo Dourado (Golden Werelt)' para despesas...". Casou-se no Brasil, com Isabel de Proença Varella, filha do português Paulo de Proença Varella e de Inocência Doria, a Neta.

João faleceu entre 1613 e 1616.

Foi pai de dois filhos e uma filha:



Antonio Bicudo Carneiro


Antonio Bicudo Carneiro foi da governança da terra, ouvidor da comarca e capitania pelos anos de 1585; foi quem mandou levantar pelourinho na vila de S. Paulo no dito ano de 1585. Foi casado com Izabel Rodrigues, natural de S. Paulo, segundo se vê do testamento de seu f.° Antonio Bicudo em 1650 em que declara sua filiação. Teve 6 f.°s, como se vê do requerimento feito aos oficiais da câmara de S. Paulo pedindo em 1598 chãos para fazer casas. Nasceu por volta de 1540, na ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores.


Foi o mais novo dentre os dez filhos de Vicente Annes Bicudo e de Mécia Nunes

Antonio veio para o Brasil com seu irmão, Vicente Bicudo, no início da colonização da Capitania de São Paulo. Casou-se em São Paulo, SP, com Isabel Rodrigues (Velho), filha de Garcia Rodrigues e de Isabel Velho. Antonio exerceu diversos cargos públicos em São Paulo, entre os quais o de juiz em 1574, vereador em 1575, novamente juiz em 1584, e ouvidor da capitania em 1585. Em 1585, mandou levantar o pelourinho da vila de São Paulo. Antonio foi bandeirante e, em 1593 participou da entrada de Afonso Sardinha, o Moço, rumo ao sertão de Jeticaí. Em 1602, participou da expedição de Nicolau Barreto rumo ao Guairá. Em 1628, participou da grande expedição de Antonio Raposo Tavares também ao Guairá.

Antonio foi um dos descobridores do ouro na serra do Jaraguá e no córrego Santa Fé. Em 1610, requereu à Câmara de São Paulo 800 braças de terra, onde residia há muitos anos, "sempre ajudando com suas pessoas e armas ao bem público".



1-1 Antonio Bicudo § 1.º


1-2 Domingos Nunes Bicudo § 2.°


1-3 Maria Bicudo § 3.°


1-4 Martha de Mendonça § 4.°


1-5 Jeronima de Mendonça § 5.°


1-6 Guiomar Bicudo § 6.°


Fonte:

Genealogia Paulistana

Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919)

Vol VI - Pág. 296 a 339


Acrescentado em 16/11/2021 - GKP

-----------------------------------------------------------------------


Antonio Bicudo nasceu provavelmente entre 1540 e 1555 na Ilha de São Miguel, Açores, Portugal. Foi também referenciado sob o nome Antonio Bicudo Carneiro por Pedro Taques na obra Nobiliarquia Paulistana (NP), e por Luiz Gonzaga da Silva Leme na Genealogia Paulistana (GP), a qual tomou como base a própria Nobiliarquia.  Na seção de Recordações pode-se observar sua assinatura como Antonio Bicudo.


Antes de 1570, Antonio Bicudo foi tabelião em Santos, como verificaram os lineagistas P. Taques e Frei Gaspar. Depois de 1573, residiu em São Paulo, com fazenda da banda de Pinheiros, em Carapicuíba. 


Antonio Bicudo exerceu diversos cargos públicos em São Paulo, conforme consta nas atas da Câmara de São Paulo. Foi vereador em 1575 e 1581, almotacel em 1576, e juiz ordinário em 1577, 1579 e 1584. Em 1580 era ouvidor eclesiástico e de 1584 em diante foi ouvidor da capitania. Em 1585, mandou levantar o pelourinho da vila de São Paulo. Assina várias atas da Câmara sob o nome de Antonio Bicudo.


Em 1587, segundo Américo de Moura (Revista do IHGSP, vol. 47), ocorre a última referência a presença de Antonio Bicudo em São Paulo, quando multou vereadores do ano anterior por não terem levantado o pelourinho, sendo a multa relevada pela câmara ("Actas", I, 309, 310). Depois disso não aparecem mais referências a sua pessoa em São Paulo. 


Em 1598, declarando-o "ausente", sua mulher pediu chãos para si, com as filhas solteiras e com os filhos menores que tinha ("Reg.", VII, 50; "Cartas de Datas", 98).


Antonio Bicudo teria sido também bandeirante e sertanista. Segundo Francisco de Assis Carvalho Franco (Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil), Antonio Bicudo participou, em 1593, das entradas de Afonso Sardinha ao sertão do Jeticai, em 1602, na entrada de Nicolau Barreto ao Guairá e, em 1628, na grande entrada com Antonio Raposo Tavares para o mesmo destino.


Extrato da Genealogia Paulistana, por Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919), Vol VI - Pág. 296 a 339, Título Bicudos

(Parte 1)


Pág. 296







Famílias Albernaz e Homem da Costa



As duas famílias, Albernaz e Homem da Costa, eram originárias dos Açores, Portugal, e passaram para o Rio de Janeiro no princípio de sua fundação. Seus varões podem inclusive ter sido companheiros de batalhas de Estácio de Sá, o fundador da cidade, em 1565, por ocasião da expulsão dos franceses da baía da Gua- nabara. Apesar de serem das famílias cariocas quatrocentonas mais proeminentes, apenas agora suas origens foram esclarecidas, e ainda assim, parcialmente. Ainda no Rio, seus filhos e netos continuaram a se ligar com pessoas de origem também açorianas. Com o tempo, Albernazes e Homens da Costa se espalharam por cidades paulistas, como Mogi das Cruzes, São Paulo, Itu, Taubaté, Ubatuba, São Sebastião, além do Estado de Goiás.


http://www.asbrap.org.br/documentos/revistas/rev11_art6.pdf


Jordão Homem da Costa foi um dos principais ancestrais da ‘nobreza da terra’ do Rio de Janeiro. RHEINGANTZ (1965) informa que Jordão Homem da Costa nasceu por volta de 1522 e faleceu depois de 1573, no Rio de Janeiro. Casou-se, por volta de 1552, com Apolonia Domingues (ou Rodrigues), nascida por volta de 1532. Ambos eram naturais da Ilha Terceira, Açores. Sua filha Francisca era a mais velha de três irmãs e nasceu na Ilha Terceira por volta de 1552. “COSTA, Francisca da: - Esposa de Aleixo Manuel, o velho. Filha de Jordão Homem da Costa, nasceu, tal como seu marido, na Ilha Terceira, nos Açores. Sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, o casal construiu, em 1582, uma

capelinha na colina existente na sesmaria de Manuel de Brito, atualmente de São Bento (BELCHIOR, 1865: 33 e 134).


(SODRÉ CARVALHO, Gilberto de Abreu. A Inquisição no Rio de Janeiro no início do século XVIII - disponível em https://parentesco.com.br/pdf/9_JorgeDaFonseca.pdf)


Manuel Albernaz


Nasceu por volta de 1550, provavelmente na Ilha do Faial. Em 1578 era morador na cidade do Rio de Janeiro, quando recebeu uma sesmaria, em 9 de dezem- bro daquele ano, em Jaguaré, com 600 braças de largo e 1.500 de compri- do. Casou-se por volta de 1584, provavelmente no Rio de Janeiro, com (sua concunhada) MARGARIDA DA COSTA, nascida por volta de 1565 na Ilha Terceira, filha de Jordão Homem da Costa. Manuel Albernaz já era falecido em 13 de maio de 1596, quando seu irmão Aleixo Manuel passou escritura de doação da capela de Nossa Senhora da Conceição ao Mosteiro de São Bento. Viúva, Margarida da Costa casou-se novamente, consoante minha hipótese, cerca de 1596, com JOÃO RODRIGUES FALEIRO, natural da Vila da Praia, Ilha Terceira, moço da Câmara de Sua Magestade, com moradia. Vide Título Homens da Costa, § 1o no II.


Revista da ASBRAP nº 11  ALBERNAZES E HOMENS DA COSTA disponível em: https://www.asbrap.org.br/artigos/rev11_art6.pdf  





Famílias Dutra, Arrudas e Botelhos


Dutras, Arrudas e Botelhos do Brasil


Além desses mencionados acima que vieram no sec. XVI, temos também muitos açorianos que vieram ao Brasil no SEC. XVIII  que são descendentes de Gonçalo Vaz Botelho que foi o primeiro povoador dos Açores na  Ilha de São Miguel. 


 Também comum no Brasil é o sobrenome Dutra que teve origem no Jorge Dutra, filho do Capitão do Donatário do Faial Joost Van Hurtere Capitão do Donatário do Faial e Beatriz de Macedo. O sobrenome Huertere foi aportuguesado pelo seu  Filho Jorge Dudra, também o sobrenome Horta, comum no Brasil tem origem no aportuguesamento de Hurtere. 


Outro nome comum no Brasil, Arruda, é oriúndo do Filho de João Gonçalves Botelho e Neto de Gonçalo Vaz Botelho,  João de Arruda da Costa que foi o 1.º que usou o apelido "Arruda" para se distinguir de seu irmão O Capitão Gonçalo Vaz Botelho. 


O Sobrenome “arruda”, chegou por meio de André de Sampaio de Arruda que casou em 1665 em Parnaíba com Anna de Quadros, f.ª de Bartholomeu de Quadros e de Izabel Bicudo, Tit. Quadros. Faleceu André de Sampaio em 1719 em Itu com testamento, em que declarou ser f.º de Gonçalo Vaz Botelho e de Anna de Arruda. Teve 10 f.ºs. nascidos em Parnaíba, dos quais viveram somente 8, que são:


1-1 José de Sampaio e Arruda § 1.º

1-2 Antonio de Arruda de Sampaio § 2.º

1-3 André de Arruda § 3.º

1-4 Francisco de Sampaio Botelho § 4.º

1-5 Maria de Arruda § 5.º

1-6 Rosa de Arruda § 6.º

1-7 Izabel de Arruda § 7.º

1-8 Anna de Arruda § 8.º 

Fonte: Genealogia Paulistana, Silva Leme, Vol IV - Pág. 45 a 84, Título Arrudas Botelhos.



“A nobilíssima família "Arrudas, Botelhos e Sampaios", que teve começo em S. Paulo nos três irmãos: Francisco de Arruda e Sá, André de Sampaio e Arruda e Sebastião de Arruda Botelho, naturais da vila da Ribeira Grande, ilha de S. Miguel, f.ºs de Gonçalo Vaz Botelho e de Anna de Arruda, ambos naturais da mesma ilha, remonta pelos seus quatro costados a uma era remota, anterior mesmo à da fundação da monarquia portuguesa.


Além destes três irmãos mencionados, que passaram a S. Paulo em 1654, veio mais tarde um sobrinho neto dos mesmos, que foi o capitão-mor Manoel de Sampaio Pacheco, o qual casou a 1.ª vez em 1710 em Itu com Barbara de Sousa Menezes, em Tit. Campos Cap. 10.º; 2.ª vez em 1717 na mesma vila com Veronica Dias Leite, f.ª do capitão Pedro Dias Leite e de Antonia de Arruda, neste Tit. Cap. 1.º § 4.º n.º 2-6; e foi natural da ilha de S. Miguel, f.º do capitão Manoel Pacheco Botelho e de Maria de Arruda, naturais da mesma ilha, n. p. de Nicolau da Costa de Arruda (irmão dos três Arrudas já mencionados) e de sua mulher Ignez Tavares .”


Estes três irmãos vão descritos nos Cap. seguintes, que formam este Título:


Cap. 1.º Francisco de Arruda e Sá

Cap. 2.º André de S. Paio e Arruda

Cap. 3.º Sebastião de Arruda Botelho



Gonçalo Vaz Botelho, o Grande, tronco dos Botelhos nos Açores, um dos mais antigos povoadores da ilha de São Miguel, para onde veio com sua mulher e alguns dos filhos por 1450 e tantos.

Fonte: Genealogia Paulistana, Silva Leme, Vol IV - Pág. 45 a 84, Título Arrudas Botelhos.


Teve dadas de terras em Rabo de Peixe, quarenta e cinco moios, que depois foram repartidos pelos filhos. Frutuoso diz não saber o nome, nem a filiação da mulher (Frutuoso, Livro IV, Cap. XXXIX e Felgueiras Gaio, "Nobiliário", título "Botelhos", tomo VII, pág. 118)


Gonçalo Vaz Botelho, O Grande - n. cerca de 1420. Diz o Dr. Gaspar Frutuoso “Como a casa do infante D. Henrique, que mandou descobrir estas ilhas (segundo diz o docto João de Barros), era quase uma religião observante de limpeza e virtudes, e uma escola de virtuosa nobreza, onde a maior parte da fidalguia do Reino se criou, por ele ser curador e zelador da criação dos fidalgos, para os  doutrinar em bons costumes, deixando à parte os Velhos, que atrás disse virem de sua mesma casa, sendo também criados nela, como tais e generosos, Gonçalo Vaz Botelho, chamado o Grande, Afonso Anes, Rodrigo Afonso e Pedro Afonso Colombreiros . Gonçalo de Teves, almoxarife primeiro desta ilha, e Pero Cordeiro, seu irmão, escrivão do almoxarifado, Afonso Anes do Penedo, Vasco Pereira, João Pires, João Afonso d’Abelheira, e, segundo alguns afirmam, vindo também nesta companhia Jorge Velho, que casou depois com Africañes...etc “. E continua  ”... Gonçalo Vaz Botelho, filho de Pero Botelho, Comendador-mor de Cristo, no Reino de Portugal, por ser tão abalisado fidalgo e muito favorecido antre outros fidalgos na casa do infante D. Henrique, que mandou descobrir estas Ilhas dos Açores, foi enviado por ele a povoar esta de S. Miguel de sua nobre geração, donde se chamou Gonçalo Vaz, o Grande, assim por ele o ser no corpo e condição, como por respeito de um seu filho, chamado Gonçalo Vaz, o Moço; o qual Gonçalo Vaz, o Grande, vindo a esta terra dez anos (como alguns dizem e, segundo outros, menos tempo) depois do seu descobrimento, trouxe consigo sua mulher, a que não se  soube o nome, da qual houve cinco filhos: Nuno Gonçalves, Antão Gonçalves, Gonçalo Vaz, o Moço, chamado Andrinho, João Gonçalves e Francisco Gonçalves...” As Saudades da Terra, Livro IV Cap. IV, pg. 22 ). As suas armas, dos Botelhos e dos seus descendentes, de que têm seu brasão, são as seguintes: um escudo com o campo de ouro e quatro bandas de vermelho; elmo de prata aberto, guarnecido de ouro; paquife de ouro e de vermelho; e por timbre um meio leão de ouro, banda de vermelho, e alguns têm por diferença uma merleta de prata. Os quais primeiros descendentes foram homens poderosos, ricos e abastados, e tiveram grandes casas, vivendo à lei de nobreza, com cavalos, criados e escravos, e grande família anotado por Felgueiras Gayo em seu titulo Botelhos, §7 N 13.







Referências:


Frutuoso, Gaspar. Saudades da Terra. Manuscrito de 1586.

Leme, Luís Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Vários volumes.

Rheingantz, Carlos G. Genealogia Fluminense (1965).

Santos, Francisco Martins dos. Lendas e Tradições de uma Velha Cidade do Brasil.

Taunay, Affonso E. História Geral das Bandeiras Paulistas.

Revista da ASBRAP nº 11. “Albernazes e Homens da Costa”.

FamilySearch.org – Base de dados genealógica online.



Domingo Martínez de Irala - Adelantado do Rio da Prata

  Ascendente de 17.ª geração : Familysearch ID: LXQF-9VR Domingo Martínez de Irala - Adelantado do Rio da Prata - Masculino 1509 – 3 de outu...