Alguns exemplos da genealogia de Emanuel de Souza Pereira.

São bastante conhecidas entre os estudiosos das migrações de açorianos ao Brasil a vinda de casais açorianos para o Nordeste Brasileiro em meados do sec. XVII e para a Costa do Sul do Brasil no sec. VIII, porém um fato menos conhecido é a vinda de açorianos, sem relação com um projeto oficial de migração, ainda no sec. XVI, que se estabeleceram no Rio de Janeiro e São Paulo com uma participação importante na defesa do território e fundação de novos povoados. Nesse breve comentário apresentamos alguns desses açorianos que vieram para o Brasil ainda no sec. XVI e aqui deram origem a vasta descendência.
O Capitão Jordão Homem da Costa, originário da Ilha Terceira, veio ao Rio de Janeiro onde ajudou na expulsão dos Franceses. Ali, casou a sua Filha Margarida da Costa com Manuel Albernaz, originário do Faial, seus descendentes estão entre fundadores de muitos municípios em São Paulo (Mogi das Cruzes, São Paulo, Itu, Taubaté, Ubatuba, São Sebastião). Em São Paulo, são supostamente de origem açoriana, alguns dos mais antigos moradores, que desempenharam funções importantes e deixaram vasta descendência entre famosos bandeirantes Pedro Afonso, um dos primeiros habitantes do Brasil e antepassado do Francisco Dias Velho, veio da Ilha de São Miguel, assim como Antônio Bicudo Carneiro, de origem sefardita, que exerceu divesos cargos importantes desde meados de 1570 e também participou de muitas bandeiras; João de Abreu que veio da Ilha terceira para São Vicente e lá foi governador e enfrentou ataques piratas.
Esses são alguns casos encontrados a partir de pesquisa genealógica pessoal com base nos bancos de dados disponíveis no site Familysearch.org onde muitas genealogias são baseadas em estudos de genealogistas como a obra Obra Genealogia Paulistana de Luis Gonzaga da silva Leme com a Nobiliarchia Paulistana, Genealogia da Principais Famílias de São Paulo, Pedro Taques de Almeida Paes Leme. Também são mencionadas algumas migrações de açorianos para o Brasil no sec. XVI na clássica obra sobre memórias dos Açores no sec. XVI “Saudades da Terra” de Gaspar Frutuoso escrito em 1586. Abaixo apresentamos algumas informações disponíveis sobre esses açorianos.
Pedro Afonso Gago
Um dos primeiros açorianos que migraram ao Brasil (supostamente de Ponta Delgada, da Ilha de São Miguel) foi Pedro Afonso Gago, um dos patriarcas de São Paulo, sendo antepassado de ilustres bandeirantes, entre eles Francisco Dias Velho, fundador do povoado de Nossa Senhora do Desterro, na Ilha de Santa Catarina, futura capital do Estado de Santa Catarina. O Ilustre genealogista Luiz Gonzaga da Silva Leme menciona logo no início do seu tratado “Genealogia Paulistana” Pedro Afonso “ (Dos Gagos e Affonsos das Ilhas de Portugal ) resgatou nos campos do planalto de Piratininga uma índia da tribo Tapuia, que fora aprisionada pelos portugueses e vinha sendo mantida em cativeiro. E foi com ela que teve suas quatro filhas.”

João de Abreu
Nasceu por volta de 1560, na Ilha Terceira, no Arquipélago dos Açores, em Portugal. João mudou-se dos Açores para a Capitania de São Vicente, onde "foi de sua governança". Desde o ano de 1575, João fez "muitos serviços a El Rei e ao donatário da Capitania, como homem nobre e abonado, com sua pessoa, armas e escravos, acudindo, à sua custa, a todas as guerras tanto no Rio de Janeiro, como em São Vicente".
Em 17 de Janeiro de 1595, João recebeu provisão do Governador Geral Dom Francisco de Sousa lhe concedendo "mercê da 'serventia vitalícia' do ofício de almoxarife das capitanias de Santo Amaro e São Vicente", de que tomou posse em 8 de Março de 1597, na vila de Santos, prestando juramento a Brás Cubas, provedor da fazenda real da Capitania, sendo escrivão da mesma fazenda Athanásio da Motta. Genealogia Paulistana Vol VI - Pág. 179
Em 'Lendas e Tradições de uma Velha Cidade do Brasil' de Francisco Martins dos Santos, lê-se:"...na noite de 16 de dezembro de 1590... Cook, corsário inglês e lugar-tenente do corsário Cavendish, investia a barra de Santos no comando da nau Roebuck, passou despercebido ante a Fortaleza de Santo Amaro - levantada pelos espanhóis em 1584 - fundeando em frente da Vila. A manhã de 17 veio encontrá-lo no porto, em frente ao Forte da Praça de Nª Srª do Monte Serrate existente junto à enseada de Enguaguaçú e com as baterias assestadas contra a pequena fortificação não tardou em intimar os moradores á rendição ou a Vila seria bombardeada. Pronta foi a resistência paulista... e os homens válidos, com João de Abreu e Diogo de Unhate à frente, resistiam com seus bacamartes afeitos à luta ante essa ignominiosa invasão de corso e pirataria de Sua Majestade contra a costa e as terras dos paulistas... João de Abreu e Diogo de Unhate foram dois povoadores que salientíssima ação tiveram em defesa da terra não só nesta, como também na 1ª invasão de Edward Fenton...".
Em 'História Geral das Bandeiras Paulistas' de Affonso E. Taunay, lê-se:"Minas de Araçoyaba - Em 02 de agosto de 1599, achava-se o Governador-Geral Dom Francisco Fernando de Sousa, na Biraçoyava dirigindo trabalhos... em novembro de 1599 fazia sacar no Almoxarifado da Fazenda de Santos, carregados em receita ao almoxarife-vitalício dela João de Abreu, mais de 6 contos de réis - soma no tempo avultadíssima - dos 'direitos da Urca, nomeada Mundo Dourado (Golden Werelt)' para despesas...". Casou-se no Brasil, com Isabel de Proença Varella, filha do português Paulo de Proença Varella e de Inocência Doria, a Neta.
João faleceu entre 1613 e 1616.
Foi pai de dois filhos e uma filha:
Antonio Bicudo Carneiro
Antonio Bicudo Carneiro foi da governança da terra, ouvidor da comarca e capitania pelos anos de 1585; foi quem mandou levantar pelourinho na vila de S. Paulo no dito ano de 1585. Foi casado com Izabel Rodrigues, natural de S. Paulo, segundo se vê do testamento de seu f.° Antonio Bicudo em 1650 em que declara sua filiação. Teve 6 f.°s, como se vê do requerimento feito aos oficiais da câmara de S. Paulo pedindo em 1598 chãos para fazer casas. Nasceu por volta de 1540, na ilha de São Miguel, no Arquipélago dos Açores.
Foi o mais novo dentre os dez filhos de Vicente Annes Bicudo e de Mécia Nunes
Antonio veio para o Brasil com seu irmão, Vicente Bicudo, no início da colonização da Capitania de São Paulo. Casou-se em São Paulo, SP, com Isabel Rodrigues (Velho), filha de Garcia Rodrigues e de Isabel Velho. Antonio exerceu diversos cargos públicos em São Paulo, entre os quais o de juiz em 1574, vereador em 1575, novamente juiz em 1584, e ouvidor da capitania em 1585. Em 1585, mandou levantar o pelourinho da vila de São Paulo. Antonio foi bandeirante e, em 1593 participou da entrada de Afonso Sardinha, o Moço, rumo ao sertão de Jeticaí. Em 1602, participou da expedição de Nicolau Barreto rumo ao Guairá. Em 1628, participou da grande expedição de Antonio Raposo Tavares também ao Guairá.
Antonio foi um dos descobridores do ouro na serra do Jaraguá e no córrego Santa Fé. Em 1610, requereu à Câmara de São Paulo 800 braças de terra, onde residia há muitos anos, "sempre ajudando com suas pessoas e armas ao bem público".
1-1 Antonio Bicudo § 1.º
1-2 Domingos Nunes Bicudo § 2.°
1-3 Maria Bicudo § 3.°
1-4 Martha de Mendonça § 4.°
1-5 Jeronima de Mendonça § 5.°
1-6 Guiomar Bicudo § 6.°
Fonte:
Genealogia Paulistana
Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919)
Vol VI - Pág. 296 a 339
Acrescentado em 16/11/2021 - GKP
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Antonio Bicudo nasceu provavelmente entre 1540 e 1555 na Ilha de São Miguel, Açores, Portugal. Foi também referenciado sob o nome Antonio Bicudo Carneiro por Pedro Taques na obra Nobiliarquia Paulistana (NP), e por Luiz Gonzaga da Silva Leme na Genealogia Paulistana (GP), a qual tomou como base a própria Nobiliarquia. Na seção de Recordações pode-se observar sua assinatura como Antonio Bicudo.
Antes de 1570, Antonio Bicudo foi tabelião em Santos, como verificaram os lineagistas P. Taques e Frei Gaspar. Depois de 1573, residiu em São Paulo, com fazenda da banda de Pinheiros, em Carapicuíba.
Antonio Bicudo exerceu diversos cargos públicos em São Paulo, conforme consta nas atas da Câmara de São Paulo. Foi vereador em 1575 e 1581, almotacel em 1576, e juiz ordinário em 1577, 1579 e 1584. Em 1580 era ouvidor eclesiástico e de 1584 em diante foi ouvidor da capitania. Em 1585, mandou levantar o pelourinho da vila de São Paulo. Assina várias atas da Câmara sob o nome de Antonio Bicudo.
Em 1587, segundo Américo de Moura (Revista do IHGSP, vol. 47), ocorre a última referência a presença de Antonio Bicudo em São Paulo, quando multou vereadores do ano anterior por não terem levantado o pelourinho, sendo a multa relevada pela câmara ("Actas", I, 309, 310). Depois disso não aparecem mais referências a sua pessoa em São Paulo.
Em 1598, declarando-o "ausente", sua mulher pediu chãos para si, com as filhas solteiras e com os filhos menores que tinha ("Reg.", VII, 50; "Cartas de Datas", 98).
Antonio Bicudo teria sido também bandeirante e sertanista. Segundo Francisco de Assis Carvalho Franco (Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil), Antonio Bicudo participou, em 1593, das entradas de Afonso Sardinha ao sertão do Jeticai, em 1602, na entrada de Nicolau Barreto ao Guairá e, em 1628, na grande entrada com Antonio Raposo Tavares para o mesmo destino.
Extrato da Genealogia Paulistana, por Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919), Vol VI - Pág. 296 a 339, Título Bicudos
(Parte 1)
Pág. 296
Famílias Albernaz e Homem da Costa
As duas famílias, Albernaz e Homem da Costa, eram originárias dos Açores, Portugal, e passaram para o Rio de Janeiro no princípio de sua fundação. Seus varões podem inclusive ter sido companheiros de batalhas de Estácio de Sá, o fundador da cidade, em 1565, por ocasião da expulsão dos franceses da baía da Gua- nabara. Apesar de serem das famílias cariocas quatrocentonas mais proeminentes, apenas agora suas origens foram esclarecidas, e ainda assim, parcialmente. Ainda no Rio, seus filhos e netos continuaram a se ligar com pessoas de origem também açorianas. Com o tempo, Albernazes e Homens da Costa se espalharam por cidades paulistas, como Mogi das Cruzes, São Paulo, Itu, Taubaté, Ubatuba, São Sebastião, além do Estado de Goiás.
http://www.asbrap.org.br/documentos/revistas/rev11_art6.pdf
Jordão Homem da Costa foi um dos principais ancestrais da ‘nobreza da terra’ do Rio de Janeiro. RHEINGANTZ (1965) informa que Jordão Homem da Costa nasceu por volta de 1522 e faleceu depois de 1573, no Rio de Janeiro. Casou-se, por volta de 1552, com Apolonia Domingues (ou Rodrigues), nascida por volta de 1532. Ambos eram naturais da Ilha Terceira, Açores. Sua filha Francisca era a mais velha de três irmãs e nasceu na Ilha Terceira por volta de 1552. “COSTA, Francisca da: - Esposa de Aleixo Manuel, o velho. Filha de Jordão Homem da Costa, nasceu, tal como seu marido, na Ilha Terceira, nos Açores. Sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, o casal construiu, em 1582, uma
capelinha na colina existente na sesmaria de Manuel de Brito, atualmente de São Bento (BELCHIOR, 1865: 33 e 134).
(SODRÉ CARVALHO, Gilberto de Abreu. A Inquisição no Rio de Janeiro no início do século XVIII - disponível em https://parentesco.com.br/pdf/9_JorgeDaFonseca.pdf)
Manuel Albernaz
Nasceu por volta de 1550, provavelmente na Ilha do Faial. Em 1578 era morador na cidade do Rio de Janeiro, quando recebeu uma sesmaria, em 9 de dezem- bro daquele ano, em Jaguaré, com 600 braças de largo e 1.500 de compri- do. Casou-se por volta de 1584, provavelmente no Rio de Janeiro, com (sua concunhada) MARGARIDA DA COSTA, nascida por volta de 1565 na Ilha Terceira, filha de Jordão Homem da Costa. Manuel Albernaz já era falecido em 13 de maio de 1596, quando seu irmão Aleixo Manuel passou escritura de doação da capela de Nossa Senhora da Conceição ao Mosteiro de São Bento. Viúva, Margarida da Costa casou-se novamente, consoante minha hipótese, cerca de 1596, com JOÃO RODRIGUES FALEIRO, natural da Vila da Praia, Ilha Terceira, moço da Câmara de Sua Magestade, com moradia. Vide Título Homens da Costa, § 1o no II.
Revista da ASBRAP nº 11 ALBERNAZES E HOMENS DA COSTA disponível em: https://www.asbrap.org.br/artigos/rev11_art6.pdf
Famílias Dutra, Arrudas e Botelhos
Dutras, Arrudas e Botelhos do Brasil
Além desses mencionados acima que vieram no sec. XVI, temos também muitos açorianos que vieram ao Brasil no SEC. XVIII que são descendentes de Gonçalo Vaz Botelho que foi o primeiro povoador dos Açores na Ilha de São Miguel.
Também comum no Brasil é o sobrenome Dutra que teve origem no Jorge Dutra, filho do Capitão do Donatário do Faial Joost Van Hurtere Capitão do Donatário do Faial e Beatriz de Macedo. O sobrenome Huertere foi aportuguesado pelo seu Filho Jorge Dudra, também o sobrenome Horta, comum no Brasil tem origem no aportuguesamento de Hurtere.
Outro nome comum no Brasil, Arruda, é oriúndo do Filho de João Gonçalves Botelho e Neto de Gonçalo Vaz Botelho, João de Arruda da Costa que foi o 1.º que usou o apelido "Arruda" para se distinguir de seu irmão O Capitão Gonçalo Vaz Botelho.
O Sobrenome “arruda”, chegou por meio de André de Sampaio de Arruda que casou em 1665 em Parnaíba com Anna de Quadros, f.ª de Bartholomeu de Quadros e de Izabel Bicudo, Tit. Quadros. Faleceu André de Sampaio em 1719 em Itu com testamento, em que declarou ser f.º de Gonçalo Vaz Botelho e de Anna de Arruda. Teve 10 f.ºs. nascidos em Parnaíba, dos quais viveram somente 8, que são:
1-1 José de Sampaio e Arruda § 1.º
1-2 Antonio de Arruda de Sampaio § 2.º
1-3 André de Arruda § 3.º
1-4 Francisco de Sampaio Botelho § 4.º
1-5 Maria de Arruda § 5.º
1-6 Rosa de Arruda § 6.º
1-7 Izabel de Arruda § 7.º
1-8 Anna de Arruda § 8.º
Fonte: Genealogia Paulistana, Silva Leme, Vol IV - Pág. 45 a 84, Título Arrudas Botelhos.
“A nobilíssima família "Arrudas, Botelhos e Sampaios", que teve começo em S. Paulo nos três irmãos: Francisco de Arruda e Sá, André de Sampaio e Arruda e Sebastião de Arruda Botelho, naturais da vila da Ribeira Grande, ilha de S. Miguel, f.ºs de Gonçalo Vaz Botelho e de Anna de Arruda, ambos naturais da mesma ilha, remonta pelos seus quatro costados a uma era remota, anterior mesmo à da fundação da monarquia portuguesa.
Além destes três irmãos mencionados, que passaram a S. Paulo em 1654, veio mais tarde um sobrinho neto dos mesmos, que foi o capitão-mor Manoel de Sampaio Pacheco, o qual casou a 1.ª vez em 1710 em Itu com Barbara de Sousa Menezes, em Tit. Campos Cap. 10.º; 2.ª vez em 1717 na mesma vila com Veronica Dias Leite, f.ª do capitão Pedro Dias Leite e de Antonia de Arruda, neste Tit. Cap. 1.º § 4.º n.º 2-6; e foi natural da ilha de S. Miguel, f.º do capitão Manoel Pacheco Botelho e de Maria de Arruda, naturais da mesma ilha, n. p. de Nicolau da Costa de Arruda (irmão dos três Arrudas já mencionados) e de sua mulher Ignez Tavares .”
Estes três irmãos vão descritos nos Cap. seguintes, que formam este Título:
Cap. 1.º Francisco de Arruda e Sá
Cap. 2.º André de S. Paio e Arruda
Cap. 3.º Sebastião de Arruda Botelho
Gonçalo Vaz Botelho, o Grande, tronco dos Botelhos nos Açores, um dos mais antigos povoadores da ilha de São Miguel, para onde veio com sua mulher e alguns dos filhos por 1450 e tantos.
Fonte: Genealogia Paulistana, Silva Leme, Vol IV - Pág. 45 a 84, Título Arrudas Botelhos.
Teve dadas de terras em Rabo de Peixe, quarenta e cinco moios, que depois foram repartidos pelos filhos. Frutuoso diz não saber o nome, nem a filiação da mulher (Frutuoso, Livro IV, Cap. XXXIX e Felgueiras Gaio, "Nobiliário", título "Botelhos", tomo VII, pág. 118)
Gonçalo Vaz Botelho, O Grande - n. cerca de 1420. Diz o Dr. Gaspar Frutuoso “Como a casa do infante D. Henrique, que mandou descobrir estas ilhas (segundo diz o docto João de Barros), era quase uma religião observante de limpeza e virtudes, e uma escola de virtuosa nobreza, onde a maior parte da fidalguia do Reino se criou, por ele ser curador e zelador da criação dos fidalgos, para os doutrinar em bons costumes, deixando à parte os Velhos, que atrás disse virem de sua mesma casa, sendo também criados nela, como tais e generosos, Gonçalo Vaz Botelho, chamado o Grande, Afonso Anes, Rodrigo Afonso e Pedro Afonso Colombreiros . Gonçalo de Teves, almoxarife primeiro desta ilha, e Pero Cordeiro, seu irmão, escrivão do almoxarifado, Afonso Anes do Penedo, Vasco Pereira, João Pires, João Afonso d’Abelheira, e, segundo alguns afirmam, vindo também nesta companhia Jorge Velho, que casou depois com Africañes...etc “. E continua ”... Gonçalo Vaz Botelho, filho de Pero Botelho, Comendador-mor de Cristo, no Reino de Portugal, por ser tão abalisado fidalgo e muito favorecido antre outros fidalgos na casa do infante D. Henrique, que mandou descobrir estas Ilhas dos Açores, foi enviado por ele a povoar esta de S. Miguel de sua nobre geração, donde se chamou Gonçalo Vaz, o Grande, assim por ele o ser no corpo e condição, como por respeito de um seu filho, chamado Gonçalo Vaz, o Moço; o qual Gonçalo Vaz, o Grande, vindo a esta terra dez anos (como alguns dizem e, segundo outros, menos tempo) depois do seu descobrimento, trouxe consigo sua mulher, a que não se soube o nome, da qual houve cinco filhos: Nuno Gonçalves, Antão Gonçalves, Gonçalo Vaz, o Moço, chamado Andrinho, João Gonçalves e Francisco Gonçalves...” As Saudades da Terra, Livro IV Cap. IV, pg. 22 ). As suas armas, dos Botelhos e dos seus descendentes, de que têm seu brasão, são as seguintes: um escudo com o campo de ouro e quatro bandas de vermelho; elmo de prata aberto, guarnecido de ouro; paquife de ouro e de vermelho; e por timbre um meio leão de ouro, banda de vermelho, e alguns têm por diferença uma merleta de prata. Os quais primeiros descendentes foram homens poderosos, ricos e abastados, e tiveram grandes casas, vivendo à lei de nobreza, com cavalos, criados e escravos, e grande família anotado por Felgueiras Gayo em seu titulo Botelhos, §7 N 13.

Referências:
Frutuoso, Gaspar. Saudades da Terra. Manuscrito de 1586.
Leme, Luís Gonzaga da Silva. Genealogia Paulistana. Vários volumes.
Rheingantz, Carlos G. Genealogia Fluminense (1965).
Santos, Francisco Martins dos. Lendas e Tradições de uma Velha Cidade do Brasil.
Taunay, Affonso E. História Geral das Bandeiras Paulistas.
Revista da ASBRAP nº 11. “Albernazes e Homens da Costa”.
FamilySearch.org – Base de dados genealógica online.