Nuño Pérez Maldonado, II
(c. 1155-1215), filho de Pedro Pérez Aldao
O sobrenome Maldonado procede da antiga e nobre linhagem galega de Aldana. A linhagem de Aldana descende de Teodorico, rei dos ostrogodos.
Este rei era membro da estirpe dos Amalos, que enfrentaram os hunos. Teodorico era filho de Teodomiro, que foi proclamado rei pelos oriolanos, formando assim o Reino de Todmir. Teodorico foi levado para Roma em 462, onde foi educado. As relações com os visigodos foram intensas quando Teodorico se tornou tutor de Amalarico, que viria a ser rei da Espanha. Em seus últimos anos, Teodorico participou ativamente das Cruzadas. Com a morte de Teodorico, ocorreu a divisão entre o reino godo e os visigodos.
Teodorico governou a Espanha por volta do ano 507 e deixou dois filhos no país. Um deles foi Severiano, duque de Cartagena, casado com Dona Teodora. O outro, chamado Suero, estabeleceu-se na Galiza e fundou nela o solar da casa Aldana, perto da cidade de Santiago de Compostela — onde pregou o apóstolo Tiago, discípulo de Jesus Cristo, convertendo a Espanha e todos os nossos antepassados ao catolicismo. Na Igreja de Santiago de Compostela encontra-se a sepultura do apóstolo.
Outra lenda faz dele descendente do rei Ariamiro ou Artamiro VIII, monarca dos suevos na Galiza em 517. O certo é que o nome Aldana esteve inicialmente unido ao de Arias, formado pelo nobre Arias de Aldana; e que Dom Hernán Pérez de Aldana, senhor de Aldana, foi quem fundou o sobrenome Maldonado durante o reinado de Afonso VIII. Os Aldana ocuparam cargos proeminentes e detiveram títulos de condes em Castela e Leão, passando depois para a Galiza, Catalunha, Valência, Múrcia, Extremadura e outras regiões.
Os cavaleiros do sobrenome Aldana adquiriram grande celebridade na conquista de Valência, mencionando-se especialmente Dom Alonso de Aldana, a quem o rei Dom Jaime I presenteou com uma espada como prêmio por suas proezas. Dom Hernán Pérez de Aldana, Senhor de Aldana, foi o primeiro a chamar-se Maldonado, durante o reinado do rei Afonso VIII de Castela.
Suas Armas (Brasões)
O escudo de Aldana: Em campo de gules (vermelho), cinco flores-de-lis. Em campo de ouro, dois lobos de púrpura.
Os Maldonado: Sempre usaram as armas que o Rei da França concedeu ao seu progenitor após o desafio com o Duque de Aquitânia, conforme conta a história: De gules, com cinco flores-de-lis de ouro, postas em sautor (em "X").
História
Na igreja de Santa María de um lugar chamado Maderuelo, encontra-se um sepulcro com a seguinte inscrição: "Aqui jaz o nobre cavaleiro Hernando Maldonado". Hernán Pérez de Aldana (segundo alguns) ou Nuño Pérez de Aldana foi o fundador do sobrenome Maldonado. Ele foi senhor desta casa e de muitas outras posses, e não viveu nos tempos do Rei Dom Afonso, o Magno, como afirmam alguns autores, mas sim no reinado de Dom Fernando II de Leão e de seu sobrinho Afonso VIII. Eram os tempos da Quarta Cruzada, por volta dos anos 1158-1214.
Foi no tempo deste último rei que ocorreu o episódio que motivou a mudança de Aldana para Maldonado. Relataremos conforme as crônicas antigas:
"Dom Hernán Pérez de Aldana estava gravemente enfermo e encomendou-se a Nossa Senhora, a Virgem, prometendo visitá-la se recuperasse a saúde. Assim que melhorou um pouco, partiu da Galiza em direção às ásperas montanhas da Catalunha. Com o cansaço da longa viagem, sua doença piorou, sendo necessário colocar-lhe uma cama em um dos ângulos da igreja para que pudesse realizar a novena oferecida. Na festa da Natividade da Virgem, 8 de setembro, o templo lotou de fiéis.
Um dos peregrinos, chamado Guilherme, Duque de Normandia (sobrinho do Rei Filipe da França), não encontrando outro lugar livre para ver as cerimônias, colocou-se de pé sobre a cama de Dom Hernán. Ofendido pelo incômodo e pela falta de cortesia, Dom Hernán pediu que ele buscasse outro lugar. O Duque respondeu com altivez: 'Não te incomodaria se soubesses quem sou'. Ao que o enfermo replicou: 'Tu também, se me conhecesses, serias mais cortês'.
Após novas ofensas do Duque, Aldana, indignado, prometeu que, se a Virgem o curasse, ele iria pessoalmente buscar reparação pela injúria. O Duque apenas riu da ameaça."
Curado, Aldana convocou seus parentes e pediu o amparo do Rei Dom Afonso em Burgos. O Rei enviou-o como embaixador ao Rei da França para assegurar que Hernán era um cavaleiro de tal nobreza que poderia desafiar qualquer outro na França.
No dia do duelo, os dois cavaleiros enfrentaram-se com lanças, maças e espadas. Hernán trazia no escudo os dois lobos de púrpura (armas de Aldana). Durante o combate, Hernán feriu o Duque na cabeça, derrubando-o. Quando estava prestes a decapitá-lo, o Rei da França interveio, prometendo a Aldana a satisfação que ele desejasse se poupasse a vida do Duque.
Quando o Duque se recuperou, o Rei perguntou a Hernán o que ele queria. Dom Hernán pediu: — "Senhor, peço que, como trazes três flores-de-lis em tuas armas, me concedas que eu possa trazer cinco."
O Rei Filipe, desgostoso com a pretensão de dividir seu símbolo real, tentou oferecer riquezas, mas Hernán insistiu que buscava honra, não dinheiro. O Rei, então, cedeu dizendo: — "Eu as dou a ti, embora sejam mal donadas (mal dadas/concedidas contra a minha vontade)."
Desde então, Hernán Pérez de Aldana mudou seu sobrenome para Maldonado, derivado da frase do Rei Filipe (mal-donadas), e passou a usar as flores-de-lis em seu brasão. Seus descendentes diretos mantiveram o sobrenome Maldonado, enquanto os parentes laterais continuaram como Aldana.
Texto adaptado do site de Dom Luis Rosales Maldonado.
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