Frei D. Lopo Dias de Sousa, 7.º Mestre da Ordem de Cristo (1359 – 1435)
foi o último mestre clérigo da Ordem de Cristo[1], senhor de Mafra e Ericeira e mordomo-mor da rainha D. Filipa de Lancastre[2][3].
Era filho de Maria Teles de Meneses e de Álvaro Dias de Sousa[4].
Mais tarde vê-mo-lo a combater do lado do Mestre de Avis, na guerra de independência, defendendo a soberania portuguesa contra as pretensões de Castela. Depois das vitórias que colocaram D. João I, Mestre de Avis, no trono de Portugal, tornou-se amigo íntimo da Casa Real, em particular, do Infante D. Henrique, o qual contou com o seu apoio para as conquistas do Norte de África[5].
À sua morte o Rei obteve do Papa autorização para nomear um mestre laico na pessoa do referido infante, seu filho[5].
Biografia de D. Lopo Dias de Sousa, 7.º Mestre da Ordem de Cristo (1359 – 1435)
D. Lopo Dias de Sousa (1359 – 1435) foi uma figura central na história medieval portuguesa, conhecido por ser o 7.º Mestre da Ordem de Cristo e o último mestre clérigo da instituição antes de sua transição para mestres laicos. Sua vida abrangeu um período crucial para Portugal, marcado pela crise de sucessão de 1383-1385, pela ascensão da dinastia de Avis e pelo início da expansão marítima portuguesa.
Origem Familiar
Lopo Dias de Sousa nasceu por volta de 1359, possivelmente em Coimbra, Portugal, embora algumas fontes sugiram que sua origem exata seja incerta. Era filho de Álvaro Dias de Sousa, um rico-homem português, senhor de Mafra, Ericeira e Enxara dos Cavaleiros, e de Maria Teles de Meneses, uma nobre da influente família Teles. Sua mãe era irmã da rainha D. Leonor Teles, esposa de D. Fernando I, o que posicionou Lopo em uma rede de conexões familiares próximas ao poder real. Essa relação com a rainha foi determinante para sua nomeação como Mestre da Ordem de Cristo, um cargo que assumiu ainda muito jovem.
Ascensão ao Mestrado da Ordem de Cristo
Lopo foi nomeado Mestre da Ordem de Cristo em 1372, após a morte de seu antecessor, D. Nuno Rodrigues Freire de Andrade. Segundo o cronista Fernão Lopes, ele tinha apenas cerca de 12 anos na época, uma escolha que reflete a influência de sua tia, D. Leonor Teles, na corte de D. Fernando I. A nomeação de um jovem para um cargo tão elevado gerou controvérsias: o Papa Bonifácio IX, que ocupava o trono papal à época, recusou-se inicialmente a confirmar Lopo devido à sua pouca idade, mas a decisão foi mantida pela Coroa portuguesa. Lopo assumiu oficialmente o mestrado em 1373, cargo que ocupou até sua morte em 1435.
Como Mestre, Lopo foi o último clérigo a liderar a Ordem de Cristo, uma instituição que, desde sua fundação em 1319, tinha como missão orar e combater, combinando espiritualidade e ação militar. Durante seu longo mestrado, ele administrou os bens da Ordem, que incluíam vastas propriedades e comendas, e assegurou sua relevância em um período de transição para Portugal.
Participação na Crise de 1383-1385
Apesar de ser sobrinho de D. Leonor Teles, que se tornou uma figura impopular por sua aliança com Castela durante a crise de sucessão após a morte de D. Fernando I em 1383, Lopo tomou uma decisão crucial ao apoiar D. João, Mestre de Avis, na luta pela independência portuguesa. Em 1384, ele liderou os cavaleiros da Ordem de Cristo ao lado das forças de D. Nuno Álvares Pereira e do Mestre de Avis, defendendo a soberania de Portugal contra as pretensões castelhanas.
Durante o conflito, Lopo foi capturado pelos castelhanos no assalto a Torres Novas, uma vila então ocupada pelo inimigo. Ele foi libertado após a vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota (1385), que consolidou D. João I como rei de Portugal. Sua participação na guerra do Interregno lhe valeu o reconhecimento como herói, e ele se tornou uma figura próxima da nova dinastia de Avis.
Relação com a Casa Real e Papel Político
Após a ascensão de D. João I, Lopo Dias de Sousa consolidou sua posição como aliado da Casa Real. Ele acompanhava frequentemente o rei em suas movimentações pelo reino e foi nomeado mordomo-mor da rainha D. Filipa de Lancastre, esposa de D. João I, um cargo de grande prestígio que o colocava no centro da administração da corte. Sua lealdade à dinastia de Avis o aproximou especialmente do Infante D. Henrique, o Navegador, com quem desenvolveu uma amizade íntima. Lopo apoiou as ambições de D. Henrique para as conquistas no Norte da África, incluindo a tomada de Ceuta em 1415, na qual participou ativamente.
O mestrado de Lopo foi marcado por uma transição significativa na Ordem de Cristo. Ele assegurou, de forma modelar, a passagem do modelo de mestres eleitos para um sistema em que a Ordem seria governada por príncipes da Casa Real. Após sua morte, D. João I obteve autorização papal para nomear o Infante D. Henrique como Regedor e Governador da Ordem, marcando o início de uma nova fase em que a Ordem de Cristo se vinculou diretamente à monarquia portuguesa e às suas ambições expansionistas.
Vida Pessoal e Descendência
Lopo Dias de Sousa, como cavaleiro de uma ordem militar, estava sujeito a votos de castidade, mas, como era comum na época, teve relacionamentos que resultaram em descendência. Ele teve filhos com Maria Ribeiro. Esses filhos foram legitimados por D. João I, indicando a aceitação de sua prole pela Coroa. Entre seus filhos estão:
- Maria de Sousa, que se casou com Álvaro Gonçalves de Faria;
- Diogo Lopes de Sousa, que casou com D. Catarina Ataíde e, posteriormente, com D. Isabel de Castro; (Nosso antepassado)
- Violante de Sousa, casada com Rui Vasques Ribeiro, 2.º senhor de Figueiró e Pedrogão;
- Aldonça de Sousa, casada com Pedro Gomes de Abreu, 3.º senhor de Regalados;
- Isabel de Sousa, casada com Diogo Lopes Lobo, 3.º senhor de Alvito e Oriola;
- Branca de Sousa, casada com João Falcão, alcaide-mor de Mourão.
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