sexta-feira, 28 de março de 2025

D. Nuno Gonçalves Freire de Andrade, 6.º Mestre da Ordem de Cristo

 Nuno Rodrigues Freire de Andrade (c. 1315-1372)  6º Mestre da Ordem de Cristo 













Biografia de D. Nuno Gonçalves Freire de Andrade, 6.º Mestre da Ordem de Cristo

D. Nuno Rodrigues Freire de Andrade (c. 1315 – 1372) foi uma figura central na história medieval portuguesa, destacando-se como o 6.º Mestre da Ordem de Cristo, uma ordem militar que herdou o legado dos Templários em Portugal. Seu mestrado, exercido entre 1357 e 1372, coincidiu com um período de conflitos e mudanças políticas na Península Ibérica, e ele desempenhou papéis cruciais tanto na esfera militar quanto na corte, incluindo a tutela do futuro rei D. João I.

Origem Familiar

Nuno Freire de Andrade nasceu por volta de 1315 na Corunha, na Galiza, então parte do Reino de Castela, mas uma região com fortes laços com Portugal. Era filho de Rui Freire, senhor de São Martinho de Andrade (uma paróquia no concelho de Ponte de Eume, Corunha), e de Inês González de Sotomayor, de uma linhagem de cavaleiros galegos. Pertencia à antiga casa dos Freire de Andrade, fundada por D. Fernão Peres de Andrade, um nobre galego conhecido por suas façanhas militares e rivalidades com os Templários, conforme registrado em cantigas medievais. A ligação de Nuno com Portugal provavelmente se consolidou por parentescos e pela proximidade com a corte portuguesa, sendo sugerido por Fernão Lopes que ele era parente de Teresa Lourenço, mãe de D. João I.

Carreira e Mestrado na Ordem de Cristo

D. Nuno assumiu o mestrado da Ordem de Cristo em 11 de julho de 1357, durante o reinado de D. Pedro I, poucos meses após a ascensão deste ao trono. Como Mestre, foi um dos últimos líderes clericais da Ordem antes de sua secularização gradual. Ele implementou reformas administrativas para fortalecer os recursos da Ordem, otimizando a gestão de suas comendas e propriedades.

Paralelamente, Nuno acumulou o cargo de Chanceler-mor do reino sob D. Pedro I, uma posição de grande influência que o colocou no centro da administração e da justiça portuguesas. Esse duplo papel — líder da Ordem de Cristo e Chanceler-mor — reflete sua proximidade com o rei e sua habilidade em equilibrar funções militares e civis.

Participação em Guerras e Serviços

Durante seu mestrado, D. Nuno esteve profundamente envolvido nas guerras contra Aragão, um conflito recorrente no século XIV. Atuou como fronteiro (comandante militar) em regiões estratégicas como a Corunha e a Guarda, além de prestar serviços em outras frentes militares em Portugal. O cronista Fernão Lopes relata: “D. Nuno Freire o qual sempre em quanto foi mestre andara na guerra d Aragão e estiveram por fronteiro na Corunha e na Guarda e em outros serviços destes reinos de Portugal”. Essas campanhas destacam o papel da Ordem de Cristo como braço armado da Coroa em tempos de guerra.

Papel como Tutor de D. João I

Um dos aspectos mais significativos da vida de D. Nuno foi seu papel como aio (tutor) do jovem D. João, filho ilegítimo de D. Pedro I e Teresa Lourenço, nascido em 1357. Após a morte de D. Pedro I em 1367, Nuno continuou a exercer influência sobre o futuro rei, que mais tarde se tornaria D. João I, fundador da dinastia de Avis e arquiteto da vitória na crise de 1383-1385. Como aio, Nuno foi responsável pela educação militar e moral do jovem, preparando-o para os desafios que enfrentaria. Essa relação reforça a posição de Nuno como um elo entre a nobreza galega-portuguesa e a ascensão da nova dinastia real.

Morte e Local de Falecimento

D. Nuno Rodrigues Freire de Andrade faleceu em 1372, na vila de Tomar, sede da Ordem de Cristo, onde os mestres tradicionalmente residiam e governavam. Tomar, com seu castelo e convento, era o coração administrativo e espiritual da Ordem, e a morte de Nuno naquele local simboliza sua dedicação à instituição até o fim. Ele foi sepultado na Igreja de Santa Maria dos Olivais, em Tomar, um templo românico que servia como panteão para os mestres da Ordem. Seu túmulo, embora não identificado com precisão hoje, reflete a honra associada ao seu cargo.

Após sua morte, as dignidades mestrais passaram para D. Lopo Dias de Sousa, sobrinho da rainha D. Leonor Teles, esposa de D. Fernando I. Essa sucessão, ocorrida em 1372, marcou uma mudança de influência na corte, com a rainha favorecendo sua própria família em detrimento de uma continuidade direta da linhagem de Nuno.


Nuno Rodrigues Freire de Andrade foi o último Mestre da Ordem de Cristo sepultado na Igreja de Santa Maria dos Olivais em Tomar


O primitivo templo foi fundado por volta de 1160 por Gualdim Pais, mestre da Ordem, no local onde anteriormente se erguia um mosteiro da Ordem beneditina, mandado edificar no século VII por São Frutuosoarcebispo de Braga. Esta zona integrava a antiga cidade romana de Sélio, fato confirmado por escavações levadas a cabo nas imediações desta igreja, e que puseram a descoberto alicerces e estruturas dos antigos edifícios e arruamentos. Não muito distante dali, foi encontrado o antigo fórum da cidade. A igreja e a sua envolvente serviram como necrópole dos freires da Ordem, tendo o próprio Gualdim Pais sido sepultado no interior do templo, em túmulo datado de 1195, do qual apenas resta a inscrição funerária. Após a extinção da Ordem do Templo (1314), tornou-se a sede da recém-instituída Ordem de Cristo, mantendo a sua função funerária.

Descendência: Rui Freire de Andrade

Embora ligado à Ordem de Cristo, que exigia votos de castidade, D. Nuno teve dois filhos ilegítimos com Clara Martins, legitimados por carta real de D. Pedro I em 12 de setembro de 1361. O mais notável foi Rui Freire de Andrade, que se tornou comendador da Ordem de Santiago e integrou-se à nobreza portuguesa. Rui casou-se com uma dama da linhagem Novais (possivelmente Aldonça Novais), e dessa união nasceu D. Teresa de Andrade. Teresa casou-se primeiro com Estêvão Soares de Mello, senhor de Mello, e depois com Fernão Cabral, sendo avó paterna de Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil em 1500. Outro filho de Nuno foi Gomes Freire de Andrade, mas Rui destacou-se por perpetuar o legado familiar.

Legado

D. Nuno Rodrigues Freire de Andrade deixou uma marca indelével como líder militar, administrador e tutor real. Sua gestão da Ordem de Cristo em tempos de guerra, seu papel como Chanceler-mor e sua influência sobre D. João I demonstram sua versatilidade e importância no Portugal medieval. O falecimento em Tomar e o sepultamento em Santa Maria dos Olivais reforçam sua identificação com a Ordem, enquanto sua descendência, via Rui Freire de Andrade, conecta-o a eventos históricos como o descobrimento do Brasil. Assim, Nuno foi uma ponte entre a Galiza e Portugal, entre a guerra e a política, e entre o passado templário e o futuro das explorações portuguesas.



Vi os valentes Templários

Batalhar em claro dia,

E aos Freire seus adversários,

Dos seus bens proprietários,

trazer a AVE MARIA

O seu sinal verde fechado,

A quem a sua banda dourada

O rei com três vilas doou,

Quem a vitória ganhou?

Dom Fernão Peres de Andrada [2]


Antepassado de 18° Geração conforme linha genealógica abaixo:




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