Ascendente de 17.ª geração : Familysearch ID: LXQF-9VR
O Governo de Irala e o Choque com Cabeza de Vaca
Após o fracasso da expedição de Pedro de Mendoza em Buenos Aires, a liderança recaiu sobre Irala, um homem pragmático que percebeu que a Espanha não manteria o controle da região sem o apoio dos Guaranis . Ele estabeleceu um sistema de cooperação mútua: os espanhóis forneciam proteção militar e ferramentas de metal, enquanto os indígenas forneciam alimentos e mão de obra, selando essa aliança através de laços de parentesco.
Em 1542, a chegada de Alvar Núñez Cabeza de Vaca, o novo Adelantado, gerou um conflito de visões:
Cabeza de Vaca: Defendia uma aplicação rígida das Leis das Índias e limitar a autonomia dos colonos que já estavam estabelecidos há anos.
Irala: Representava os interesses dos "antigos", homens que haviam sobrevivido à fome e que acreditavam que a sobrevivência da colônia dependia da integração com a terra.
O conflito culminou na deposição de Cabeza de Vaca em 1544. Irala retomou o comando, mas a colônia estava profundamente dividida entre partidários de ambos os lados.
A Aliança de Sangue: Úrsula e Guzmán
Para unificar a colônia e evitar uma guerra civil, Irala demonstrou grande habilidade política ao utilizar ao promover o casamento de sua filha, Doña Úrsula de Irala, fruto de suas alianças com a nobreza guarani, foi a peça-chave para a reconciliação.
Irala casou Úrsula com o capitão Alonso Riquelme de Guzmán. Este casamento foi um ato de alta diplomacia, pois Guzmán era sobrinho de Cabeza de Vaca. Ao unir sua filha ao herdeiro de seu rival, Irala fundiu as duas facções opostas em uma única família. Guzmán, por sua vez, demonstrou nobreza e lealdade ao aceitar o papel de mediador, tornando-se um dos braços direitos de Irala na administração de Assunção.
Dessa união nasceu Ruy Díaz de Guzmán, o primeiro grande historiador da região, que registrou os feitos de seus antepassados com uma perspectiva que valorizava tanto a herança europeia quanto a americana.
A Expansão para o Brasil e o Rio da Prata
A descendência de Irala e Guzmán não permaneceu confinada às fronteiras do Paraguai. A partir de Assunção, o clã expandiu sua influência por todo o cone sul:
A Refundação de Buenos Aires (1580): Descendentes dessa elite mestiça formada por Irala participaram da expedição de Juan de Garay para restabelecer Buenos Aires, levando para o sul as linhagens de Assunção.
O Caminho para São Paulo: Durante a União Ibérica, o trânsito entre Assunção e a Vila de São Paulo de Piratininga tornou-se frequente. Membros da linhagem Guzmán e de outras famílias aparentadas com Irala migraram para o planalto paulista e integraram-se às famílias dos primeiros exploradores e bandeirantes.
A Ascensão ao Poder
Irala tornou-se Adelantado Interino em 1538, logo após a confirmação da morte de Juan de Ayolas.
O processo foi marcante por ser um dos primeiros exercícios de "democracia" (ainda que limitada) nas Américas:
O Testamento de Mendoza: Pedro de Mendoza havia deixado ordens de que, se Ayolas morresse, o povo deveria escolher seu sucessor.
A Real Provisão de 1537: A Coroa Espanhola enviou um documento que permitia aos conquistadores do Prata elegerem um governador interino caso o cargo estivesse vago.
A Eleição: Em agosto de 1538, após ficar claro que Ayolas não voltaria, os colonos em Assunção elegeram Irala. Ele era respeitado por sua dureza e por conhecer o terreno melhor que ninguém.
Irala não queria apenas explorar; ele queria estabelecer uma colônia que funcionasse. Para isso, ele tomou decisões drásticas:
O Despovoamento de Buenos Aires (1541): Esta foi sua decisão mais polêmica. Ele percebeu que manter Buenos Aires era um desperdício de vidas e recursos devido à fome e aos ataques. Ele ordenou que todos os sobreviventes queimassem o que restava da cidade e se mudassem para Assunção. Isso concentrou todo o poder espanhol em um único lugar.
Irala incentivou a união dos soldados espanhóis com as mulheres Guaranis. Isso criou uma nova elite mestiça e garantiu a aliança com os indígenas locais através do parentesco.
A Resistência a Cabeza de Vaca: Quando a Coroa enviou o famoso Alvar Núñez Cabeza de Vaca para ser o Adelantado oficial (em 1542), Irala não aceitou bem perder o comando. Ele liderou uma conspiração, prendeu Cabeza de Vaca em 1544 sob a acusação de "tirania" e o enviou de volta à Espanha acorrentado, retomando o poder interino.
O Título Definitivo
Irala governou de forma interina ou "de fato" por quase duas décadas. A Coroa Espanhola, percebendo que ele era o único capaz de manter aquela região sob controle, acabou oficializando sua situação.
Em 1554, ele foi finalmente nomeado Governador do Rio da Prata e do Paraguai de forma oficial, cargo que ocupou até sua morte por causas naturais em 1556 (um feito raro para conquistadores daquela época).
Resumo do Legado
Irala transformou o que era uma expedição de busca por tesouros em uma sociedade de colonização agrícola e mestiça. Sem a sua decisão de concentrar tudo em Assunção, a presença espanhola no Rio da Prata poderia ter desaparecido completamente no século XVI.
1-1 Maria de Torales foi casada com Gabriel Ponce de Leon, natural da Cidade Real de Guayra — província do Paraguai, f.º de Barnabé de Contreras e de Violante de Gusman. Este Gabriel Ponce de Leon, ilustre cavalheiro da província do Paraguai, dali veio por terra a S. Paulo juntamente com outros fidalgos seus parentes, que foram: 1.º Bartholomeu de Torales e sua irmã, Maria de Zunega já mencionados neste Cap. 2.º; 2.º o irmão (de Gabriel Ponce) Barnabé de Contreras y Leon com sua mulher Beatriz de Espinoza e sua f.ª Violante de Gusman, a qual casou em 1637 em S. Paulo com Domingos do Prado f.º de Martim do Prado e de Paula de Fontes; 3.º Anna Rodrigues Cabral, natural da cidade de Guayra, falecida em 1634 com testamento, f.ª de Antonio Rodrigues Cabral e de Joanna de Escobar, e que foi casada com Bartholomeu de Torales. Nesse trajeto demoraram algum tempo estas famílias na campanha da Vacaria, passando dali a S. Paulo pelos anos de 1630 a 1634, dando lugar a que se desconfiasse que essa transmigração fosse motivada por algum crime de lesa-majestade. (Pedro Taques - Nobil-Paulistana). Faleceu Gabriel Ponce de Leon em 1655 em S. Paulo e teve: (C. O. de S. Paulo): 2-1 Capitão André de Zunega y Leon que casou com sua tia Cecilia de Abreu, § 7.º, f.ª do 2.º casamento do capitão Balthazar Fernandes, a qual faleceu com testamento em 1698 na vila de Sorocaba e teve: (C. O. de Sorocaba). 2-2 Sebastião de Contreras f.º do § 1.º. 2-3 Gabriel Ponce de Leon cremos ter sido o que faleceu em 1661 em Sorocaba casado com Custodia Dias f.ª de André Fernandes. 2-4 Bartholomeu de Contreras (não sabemos se foi casado) 2-5 Anna Rodrigues de Torales foi casada com Antonio de Oliveira Falcão 2-6 Maria de Zunega. 2-7 Ursula de Gusmão, f.ª do § 1.º, foi casada com João Rodrigues Pinto, viúvo de Maria de Candia, f.º de Sebastião Rodrigues e de Catharina Alves. Fonte: Genealogia Paulistana, Silva Leme, Vol VII - Pág. 224 a 258, Título Fernandes Povoadores. Gabriel Ponce de Leon e Contreiras, n. Cidade Real de Guairá, Paraguai, f. com testamento em Parnaíba, 1655, f. do Cap. Barnabé de Contreras de Zunega e Violante de Gusman Ponce de Leon, neto de Pedro de Contreras e Bernarda de Zunega de Mendonça, esta filha de Francisco de Zunega e Valdez e sua mulher, Maria Manrique. Casou no Paraguai com Maria de Zunega Torales, f. 1686, Sorocaba, SP, f. de Pedro Fernandes Cabral (ou Pedro Rodrigues Cabral) ou do seu irmão Antonio Rodrigues Cabral, ambos paulistas, filhos de Bartolomeu Fernandes e de Ana Rodrigues (em Fernandes), que em 1611 foram para o Guairá, num suposto 1º casamento de um deles com Maria de Zunega, n. Vila Rica, naquele país, que depois foi a 1ª esposa do Cap. Baltazar Fernandes, o Povoador, fundador de Sorocaba, e com este vieram para Parnaíba, acompanhados ainda do irmão de Maria de Zunega, Bartolomeu de Torales, este f. de outro Bartolomeu de Torales e Violante de Zunega (em Fernandes), e de sua 1ª mulher Ana Rodrigues Cabral, f. com testamento em Parnaíba, 1634, todos naturais de Vila Rica, esta f. de Antonio Rodrigues Cabral, já citado, e Joanna de Escobar.
Libro embarque de Domingo Martinez de Irala, 28 julho de 1538