terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Domingo Martínez de Irala - Adelantado do Rio da Prata

 

Ascendente de 17.ª geração : Familysearch ID: LXQF-9VR


Domingo Martínez de Irala - Adelantado do Rio da Prata -Masculino

1509 – 3 de outubro de 1556

Domingos Martínes de Irala. O maior Adelantado Espanhol e o único escolhido democraticamente, sua liderança e política garantiu a sobrevivência espanhola no Rio da Prata quando tudo parecia destinado ao fracasso. Os casamentos com filhas de caciques guaranis garantiram aliança com os nativos mais poderosos da região. Cabeza de Vaca chega a Assunção em 1542, acolhido pelos guaranís em grande incursão pelo Peabiru. Cabeza de Vaca era O novo Adelantado nomeado pelo rei, tentou fazer valer sua autoridade com medidas autoritárias, mas Irala era um líder escolhido pelos pioneiros, sobreviventes que se sentiram desrespeitados. Irala não aceitou o autoritarismo de Cabeza de Vaca e prendeu-o sob alegação de abuso de autoridade. Irala, logrou arrefecer o embate promovendo o casamento de sua filha Úrsula com Alonso Riquelme de Guzmão, sobrinho e braço direito de Cabeza de Vaca. Muitos brasileiros são descendentes dessa linhagem por meio da vinda para Piratininga de fidalgos do Guayrá. 
 descendência no Brasil. 





O Governo de Irala e o Choque com Cabeza de Vaca

Após o fracasso da expedição de Pedro de Mendoza em Buenos Aires, a liderança recaiu sobre Irala, um homem pragmático que percebeu que a Espanha não manteria o controle da região sem o apoio dos Guaranis . Ele estabeleceu um sistema de cooperação mútua: os espanhóis forneciam proteção militar e ferramentas de metal, enquanto os indígenas forneciam alimentos e mão de obra, selando essa aliança através de laços de parentesco.

Em 1542, a chegada de Alvar Núñez Cabeza de Vaca, o novo Adelantado, gerou um conflito de visões:

  • Cabeza de Vaca: Defendia uma aplicação rígida das Leis das Índias  e limitar a autonomia dos colonos que já estavam estabelecidos há anos.

  • Irala: Representava os interesses dos "antigos", homens que haviam sobrevivido à fome e que acreditavam que a sobrevivência da colônia dependia da integração com a terra.

O conflito culminou na deposição de Cabeza de Vaca em 1544. Irala retomou o comando, mas a colônia estava profundamente dividida entre partidários de ambos os lados.

A Aliança de Sangue: Úrsula e Guzmán

Para unificar a colônia e evitar uma guerra civil, Irala demonstrou grande habilidade política ao utilizar ao promover o casamento de sua filha, Doña Úrsula de Irala, fruto de suas alianças com a nobreza guarani, foi a peça-chave para a reconciliação.

Irala casou Úrsula com o capitão Alonso Riquelme de Guzmán. Este casamento foi um ato de alta diplomacia, pois Guzmán era sobrinho de Cabeza de Vaca. Ao unir sua filha ao herdeiro de seu rival, Irala fundiu as duas facções opostas em uma única família. Guzmán, por sua vez, demonstrou nobreza e lealdade ao aceitar o papel de mediador, tornando-se um dos braços direitos de Irala na administração de Assunção.

Dessa união nasceu Ruy Díaz de Guzmán, o primeiro grande historiador da região, que registrou os feitos de seus antepassados com uma perspectiva que valorizava tanto a herança europeia quanto a americana.

A Expansão para o Brasil e o Rio da Prata

A descendência de Irala e Guzmán não permaneceu confinada às fronteiras do Paraguai. A partir de Assunção, o clã expandiu sua influência por todo o cone sul:

  1. A Refundação de Buenos Aires (1580): Descendentes dessa elite mestiça formada por Irala participaram da expedição de Juan de Garay para restabelecer Buenos Aires, levando para o sul as linhagens de Assunção.

  2. O Caminho para São Paulo: Durante a União Ibérica, o trânsito entre Assunção e a Vila de São Paulo de Piratininga tornou-se frequente. Membros da linhagem Guzmán e de outras famílias aparentadas com Irala migraram para o planalto paulista e integraram-se às famílias dos primeiros exploradores e bandeirantes. 

A Ascensão ao Poder

Irala tornou-se Adelantado Interino em 1538, logo após a confirmação da morte de Juan de Ayolas.

O processo foi marcante por ser um dos primeiros exercícios de "democracia" (ainda que limitada) nas Américas:

  1. O Testamento de Mendoza: Pedro de Mendoza havia deixado ordens de que, se Ayolas morresse, o povo deveria escolher seu sucessor.

  2. A Real Provisão de 1537: A Coroa Espanhola enviou um documento que permitia aos conquistadores do Prata elegerem um governador interino caso o cargo estivesse vago.

  3. A Eleição: Em agosto de 1538, após ficar claro que Ayolas não voltaria, os colonos em Assunção elegeram Irala. Ele era respeitado por sua dureza e por conhecer o terreno melhor que ninguém.


Irala não queria apenas explorar; ele queria estabelecer uma colônia que funcionasse. Para isso, ele tomou decisões drásticas:

  • O Despovoamento de Buenos Aires (1541): Esta foi sua decisão mais polêmica. Ele percebeu que manter Buenos Aires era um desperdício de vidas e recursos devido à fome e aos ataques. Ele ordenou que todos os sobreviventes queimassem o que restava da cidade e se mudassem para Assunção. Isso concentrou todo o poder espanhol em um único lugar.

  •  Irala incentivou a união dos soldados espanhóis com as mulheres Guaranis. Isso criou uma nova elite mestiça e garantiu a aliança com os indígenas locais através do parentesco. 

  • A Resistência a Cabeza de Vaca: Quando a Coroa enviou o famoso Alvar Núñez Cabeza de Vaca para ser o Adelantado oficial (em 1542), Irala não aceitou bem perder o comando. Ele liderou uma conspiração, prendeu Cabeza de Vaca em 1544 sob a acusação de "tirania" e o enviou de volta à Espanha acorrentado, retomando o poder interino.


O Título Definitivo

Irala governou de forma interina ou "de fato" por quase duas décadas. A Coroa Espanhola, percebendo que ele era o único capaz de manter aquela região sob controle, acabou oficializando sua situação.

Em 1554, ele foi finalmente nomeado Governador do Rio da Prata e do Paraguai de forma oficial, cargo que ocupou até sua morte por causas naturais em 1556 (um feito raro para conquistadores daquela época).


Resumo do Legado

Irala transformou o que era uma expedição de busca por tesouros em uma sociedade de colonização agrícola e mestiça. Sem a sua decisão de concentrar tudo em Assunção, a presença espanhola no Rio da Prata poderia ter desaparecido completamente no século XVI.



1-1 Maria de Torales foi casada com Gabriel Ponce de Leon, natural da Cidade Real de Guayra — província do Paraguai, f.º de Barnabé de Contreras e de Violante de Gusman. Este Gabriel Ponce de Leon, ilustre cavalheiro da província do Paraguai, dali veio por terra a S. Paulo juntamente com outros fidalgos seus parentes, que foram: 1.º Bartholomeu de Torales e sua irmã, Maria de Zunega já mencionados neste Cap. 2.º; 2.º o irmão (de Gabriel Ponce) Barnabé de Contreras y Leon com sua mulher Beatriz de Espinoza e sua f.ª Violante de Gusman, a qual casou em 1637 em S. Paulo com Domingos do Prado f.º de Martim do Prado e de Paula de Fontes; 3.º Anna Rodrigues Cabral, natural da cidade de Guayra, falecida em 1634 com testamento, f.ª de Antonio Rodrigues Cabral e de Joanna de Escobar, e que foi casada com Bartholomeu de Torales. Nesse trajeto demoraram algum tempo estas famílias na campanha da Vacaria, passando dali a S. Paulo pelos anos de 1630 a 1634, dando lugar a que se desconfiasse que essa transmigração fosse motivada por algum crime de lesa-majestade. (Pedro Taques - Nobil-Paulistana). Faleceu Gabriel Ponce de Leon em 1655 em S. Paulo e teve: (C. O. de S. Paulo): 2-1 Capitão André de Zunega y Leon que casou com sua tia Cecilia de Abreu, § 7.º, f.ª do 2.º casamento do capitão Balthazar Fernandes, a qual faleceu com testamento em 1698 na vila de Sorocaba e teve: (C. O. de Sorocaba). 2-2 Sebastião de Contreras f.º do § 1.º. 2-3 Gabriel Ponce de Leon cremos ter sido o que faleceu em 1661 em Sorocaba casado com Custodia Dias f.ª de André Fernandes. 2-4 Bartholomeu de Contreras (não sabemos se foi casado) 2-5 Anna Rodrigues de Torales foi casada com Antonio de Oliveira Falcão 2-6 Maria de Zunega. 2-7 Ursula de Gusmão, f.ª do § 1.º, foi casada com João Rodrigues Pinto, viúvo de Maria de Candia, f.º de Sebastião Rodrigues e de Catharina Alves. Fonte: Genealogia Paulistana, Silva Leme, Vol VII - Pág. 224 a 258, Título Fernandes Povoadores. Gabriel Ponce de Leon e Contreiras, n. Cidade Real de Guairá, Paraguai, f. com testamento em Parnaíba, 1655, f. do Cap. Barnabé de Contreras de Zunega e Violante de Gusman Ponce de Leon, neto de Pedro de Contreras e Bernarda de Zunega de Mendonça, esta filha de Francisco de Zunega e Valdez e sua mulher, Maria Manrique. Casou no Paraguai com Maria de Zunega Torales, f. 1686, Sorocaba, SP, f. de Pedro Fernandes Cabral (ou Pedro Rodrigues Cabral) ou do seu irmão Antonio Rodrigues Cabral, ambos paulistas, filhos de Bartolomeu Fernandes e de Ana Rodrigues (em Fernandes), que em 1611 foram para o Guairá, num suposto 1º casamento de um deles com Maria de Zunega, n. Vila Rica, naquele país, que depois foi a 1ª esposa do Cap. Baltazar Fernandes, o Povoador, fundador de Sorocaba, e com este vieram para Parnaíba, acompanhados ainda do irmão de Maria de Zunega, Bartolomeu de Torales, este f. de outro Bartolomeu de Torales e Violante de Zunega (em Fernandes), e de sua 1ª mulher Ana Rodrigues Cabral, f. com testamento em Parnaíba, 1634, todos naturais de Vila Rica, esta f. de Antonio Rodrigues Cabral, já citado, e Joanna de Escobar.


Libro embarque de Domingo Martinez de Irala, 28 julho de 1538




segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Senhor de Maldonado

Nuño Pérez Maldonado, II

(c. 1155-1215), filho de Pedro Pérez Aldao

O sobrenome Maldonado procede da antiga e nobre linhagem galega de Aldana. A linhagem de Aldana descende de Teodorico, rei dos ostrogodos.

Este rei era membro da estirpe dos Amalos, que enfrentaram os hunos. Teodorico era filho de Teodomiro, que foi proclamado rei pelos oriolanos, formando assim o Reino de Todmir. Teodorico foi levado para Roma em 462, onde foi educado. As relações com os visigodos foram intensas quando Teodorico se tornou tutor de Amalarico, que viria a ser rei da Espanha. Em seus últimos anos, Teodorico participou ativamente das Cruzadas. Com a morte de Teodorico, ocorreu a divisão entre o reino godo e os visigodos.

Teodorico governou a Espanha por volta do ano 507 e deixou dois filhos no país. Um deles foi Severiano, duque de Cartagena, casado com Dona Teodora. O outro, chamado Suero, estabeleceu-se na Galiza e fundou nela o solar da casa Aldana, perto da cidade de Santiago de Compostela — onde pregou o apóstolo Tiago, discípulo de Jesus Cristo, convertendo a Espanha e todos os nossos antepassados ao catolicismo. Na Igreja de Santiago de Compostela encontra-se a sepultura do apóstolo.

Outra lenda faz dele descendente do rei Ariamiro ou Artamiro VIII, monarca dos suevos na Galiza em 517. O certo é que o nome Aldana esteve inicialmente unido ao de Arias, formado pelo nobre Arias de Aldana; e que Dom Hernán Pérez de Aldana, senhor de Aldana, foi quem fundou o sobrenome Maldonado durante o reinado de Afonso VIII. Os Aldana ocuparam cargos proeminentes e detiveram títulos de condes em Castela e Leão, passando depois para a Galiza, Catalunha, Valência, Múrcia, Extremadura e outras regiões.

Os cavaleiros do sobrenome Aldana adquiriram grande celebridade na conquista de Valência, mencionando-se especialmente Dom Alonso de Aldana, a quem o rei Dom Jaime I presenteou com uma espada como prêmio por suas proezas. Dom Hernán Pérez de Aldana, Senhor de Aldana, foi o primeiro a chamar-se Maldonado, durante o reinado do rei Afonso VIII de Castela.

Suas Armas (Brasões)

  • O escudo de Aldana: Em campo de gules (vermelho), cinco flores-de-lis. Em campo de ouro, dois lobos de púrpura.

  • Os Maldonado: Sempre usaram as armas que o Rei da França concedeu ao seu progenitor após o desafio com o Duque de Aquitânia, conforme conta a história: De gules, com cinco flores-de-lis de ouro, postas em sautor (em "X").


História

Na igreja de Santa María de um lugar chamado Maderuelo, encontra-se um sepulcro com a seguinte inscrição: "Aqui jaz o nobre cavaleiro Hernando Maldonado". Hernán Pérez de Aldana (segundo alguns) ou Nuño Pérez de Aldana foi o fundador do sobrenome Maldonado. Ele foi senhor desta casa e de muitas outras posses, e não viveu nos tempos do Rei Dom Afonso, o Magno, como afirmam alguns autores, mas sim no reinado de Dom Fernando II de Leão e de seu sobrinho Afonso VIII. Eram os tempos da Quarta Cruzada, por volta dos anos 1158-1214.

Foi no tempo deste último rei que ocorreu o episódio que motivou a mudança de Aldana para Maldonado. Relataremos conforme as crônicas antigas:

"Dom Hernán Pérez de Aldana estava gravemente enfermo e encomendou-se a Nossa Senhora, a Virgem, prometendo visitá-la se recuperasse a saúde. Assim que melhorou um pouco, partiu da Galiza em direção às ásperas montanhas da Catalunha. Com o cansaço da longa viagem, sua doença piorou, sendo necessário colocar-lhe uma cama em um dos ângulos da igreja para que pudesse realizar a novena oferecida. Na festa da Natividade da Virgem, 8 de setembro, o templo lotou de fiéis.

Um dos peregrinos, chamado Guilherme, Duque de Normandia (sobrinho do Rei Filipe da França), não encontrando outro lugar livre para ver as cerimônias, colocou-se de pé sobre a cama de Dom Hernán. Ofendido pelo incômodo e pela falta de cortesia, Dom Hernán pediu que ele buscasse outro lugar. O Duque respondeu com altivez: 'Não te incomodaria se soubesses quem sou'. Ao que o enfermo replicou: 'Tu também, se me conhecesses, serias mais cortês'.

Após novas ofensas do Duque, Aldana, indignado, prometeu que, se a Virgem o curasse, ele iria pessoalmente buscar reparação pela injúria. O Duque apenas riu da ameaça."

Curado, Aldana convocou seus parentes e pediu o amparo do Rei Dom Afonso em Burgos. O Rei enviou-o como embaixador ao Rei da França para assegurar que Hernán era um cavaleiro de tal nobreza que poderia desafiar qualquer outro na França.

No dia do duelo, os dois cavaleiros enfrentaram-se com lanças, maças e espadas. Hernán trazia no escudo os dois lobos de púrpura (armas de Aldana). Durante o combate, Hernán feriu o Duque na cabeça, derrubando-o. Quando estava prestes a decapitá-lo, o Rei da França interveio, prometendo a Aldana a satisfação que ele desejasse se poupasse a vida do Duque.

Quando o Duque se recuperou, o Rei perguntou a Hernán o que ele queria. Dom Hernán pediu: — "Senhor, peço que, como trazes três flores-de-lis em tuas armas, me concedas que eu possa trazer cinco."

O Rei Filipe, desgostoso com a pretensão de dividir seu símbolo real, tentou oferecer riquezas, mas Hernán insistiu que buscava honra, não dinheiro. O Rei, então, cedeu dizendo: — "Eu as dou a ti, embora sejam mal donadas (mal dadas/concedidas contra a minha vontade)."

Desde então, Hernán Pérez de Aldana mudou seu sobrenome para Maldonado, derivado da frase do Rei Filipe (mal-donadas), e passou a usar as flores-de-lis em seu brasão. Seus descendentes diretos mantiveram o sobrenome Maldonado, enquanto os parentes laterais continuaram como Aldana.


Texto adaptado do site de Dom Luis Rosales Maldonado.

Domingo Martínez de Irala - Adelantado do Rio da Prata

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